Texto: Peta Cid
Chegou a semana mais esperada do mês de junho em Parintins. A cidade que é cenário para o indescritível espetáculo do boi-bumbá, uma das maiores expressões da cultura popular brasileira, se enfeita de amor, alegria, festa e dança para recepcionar os visitantes que chegam de todos os lugares. Caras, cores, etnias, gringos, sotaques se misturam aos caboclos da terra para brincar de boi na floresta.
A cidade incha, “tufa”, lota, tudo é sinônimo de diversão. Parintins fica como um grande coração de mãe, onde sempre cabe mais um. Quem mora nas cidades vizinhas chega de barcos regionais, caboclos da zona rural viajam de motor rabeta, os mais afortunados fazem o percurso em lanchas confortáveis, turistas estrangeiros enfrentam maratona em pontes aéreas, outros fretam aviões e o povão viaja em centenas de barcos de recreio, numa verdadeira procissão pelos rios rumo a Parintins.
O detalhe da grandeza da festa não está apenas nas alegorias que se agigantam a cada ano, mas se revela nos rostos morenos, nos sorrisos fartos e na paixão do povo que veste azul do Caprichoso e vermelho do Garantido. Tudo é retoque para o memorável espetáculo, onde caboclos e índios são os protagonistas.
Não se descreve Parintins, seus encantos e recantos, sem viver a emoção de estar na arena do Bumbódromo, numa só comunhão, seduzido pelo sentimento de paixão que só o boi-bumbá consegue produzir. Nada é mais contagiante do que a batida do surdo na contagem de três do Garantido ou o toque berrante do vaqueiro do Caprichoso. O Bumbódromo explode, deflagra uma guerra de emoções e é impossível assistir ao incrível teatro sem escolher um boi para chamar de seu.
Portanto, quem vai para Parintins já sabe que é tempo de ser rival porque é Festival. O coração pulsa eufórico, a estrela reluz feliz, é vermelha ou azul a emoção que está por vir.