
O Amazonas tem 1,3 milhão de pessoas com contas atrasadas, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira (7), pela Serasa Experian. No Estado, mais da metade da população adulta está inadimplente.
Os dados se referem ao mês de abril de 2019 e apontam que, embora expressivos, houve redução da inadimplência em um ano, no Amazonas. Enquanto em abril de 2018 havia 1.365.042 pessoas com contas em atraso e negativadas, este ano o número recuou para 1.329.714 consumidores.
Com os números, o Amazonas tem 50,4% da população adulta em situação de inadimplência e negativada ou seja com o ‘nome sujo’. O resultado é um dos mais altos do País, atrás somente de Roraima (59,7%), Amapá (52,4%) e do Acre (50,6%), aponta a Serasa.
Recorde
Em nível nacional, o número de brasileiros inadimplentes (63,2 milhões), é recorde e significa que 40,4% da população adulta do País está com dívidas atrasadas e negativadas.
Na comparação com o mesmo mês de 2018 (61,2 milhões), são dois milhões a mais de pessoas inadimplentes, alta de 3,2%.
Treze das 27 Unidades da Federação estão com índice de inadimplência acima da média nacional, sendo as regiões Norte e Sudeste as mais afetadas.
“Além dos impactos gerados pela insuficiência da educação financeira do brasileiro, a inadimplência é uma variável que segue as principais tendências do cenário econômico nacional. Neste sentido, com a estagnação da economia, aumento do desemprego e da inflação ao longo dos primeiros meses de 2019, que impactam diretamente o orçamento doméstico, continuamos a bater recordes no número de consumidores com contas em atraso”, explica Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.
Bancos e cartões
O segmento de bancos e cartões é o que tem o maior número de dívidas vencidas e não pagas, por isso, o aumento da representatividade de janeiro a abril é o que mais preocupa, segundo Rabi.
“Este crescimento demonstra a dificuldade em honrar um tipo de pagamento que costuma ser prioridade das famílias. Isso é um sinal de que as pessoas já tomaram crédito para quitar outras dívidas e chegaram no ponto de não conseguirem pagar nem este empréstimo. Se mantido ao longo dos próximos meses, este movimento pode fazer com que o spread bancário aumente, deixando os juros ainda mais caros para o consumidor”, diz o economista.
O crescimento da inadimplência do consumidor em abril de 2019, na relação com o mesmo mês de 2018, foi puxado pelas dívidas não honradas com o segmento de água, energia elétrica e gás. A telefonia aparece em segundo lugar.
Já varejo e serviços apresentaram queda, uma sinalização de que a oferta de crédito nestes segmentos pode estar encolhendo.
Educação financeira
Ainda que o desemprego continue sendo o maior vilão da inadimplência, a falta de educação financeira também impacta o orçamento dos brasileiros, principalmente em períodos de crise.
Um estudo da Serasa Experian em parceria com o Ibope Inteligência e o Instituto Paulo Montenegro mostra que a renda e a escolaridade têm pouco impacto no aprendizado financeiro da população.
A análise feita a partir do cruzamento dos dados do Índice Nacional de Educação Financeira (INDEF) e do Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) mostra que a vivência traz mais aprendizado aos brasileiros. “Com o alto índice de inadimplência no país, é preciso buscar alternativas para ensinar em sala de aula este aprendizado conquistado com a prática”, comenta Luiz Rabi.