
Foto: Divulgação/PC
Um inquérito da Polícia Civil (PC) investiga o acidente biológico ou químico ocorrido em uma balsa no Porto do Zé Mota, em Tabatinga (a 1.108 quilômetros a oeste de Manaus), que intoxicou 40 pessoas, causando a morte de dois homens e deixando outra vítima em estado grave. A balsa onde ocorreu o vazamento ficará em quarentena.
O secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), coronel Louismar Bonates, determinou que o diretor do Departamento de Polícia Técnico-Científica, Lin Hung Cha, cuide pessoalmente do caso. O diretor deve embarcar para a cidade neste domingo (12). Um perito do Instituto de Criminalística, que está em Benjamin Constant (a 1.121 quilômetros a oeste de Manaus), segue ainda neste sábado para a perícia na cidade.
Interdição
O inquérito em Tabatinga está sendo conduzido pela delegada Mary Anne Trovão, que é a titular da unidade policial do município. A Polícia Militar (PM), o Corpo de Bombeiros, a Marinha e a Polícia Civil estão no atendimento do caso, desde esta sexta-feira (10). Hoje, fizeram o trabalho de isolamento da área, retirando as embarcações dos arredores. Pela manhã, o Porto foi interditado para a circulação de pessoas, devido ao alto risco de contaminação. A balsa, denominada Melina Jaina, onde ocorreu o acidente, deve ser deslocada para uma área segura por medida de precaução.
Segundo a delegada, 40 pessoas foram encaminhadas para atendimento nas unidades de saúde desde a sexta-feira. “As duas mortes foram ocasionadas por agentes biológicos ou químicos, o que vai ser melhor esclarecido com a perícia. Ainda há uma terceira vítima em estado grave, na UTI”, disse.
Depoimentos
Neste sábado, a Polícia Civil ouviu três pessoas que trabalham nas embarcações. “É um inquérito policial de homicídio culposo, para gente detectar a questão de negligência, imperícia e imprudência por parte do provável gestor, comandante e até proprietário. O proprietário mora em Manaus. Estamos pegando todos os dados para que ele seja ouvido. Aqui só estão os comandantes, no caso o prático, que pilota, e o gestor de recebimento das mercadorias”, salienta Mary Anne.
Ainda não é possível afirmar que o vazamento foi de gás. “Sabe-se que foi uma ação tóxica, pode ter sido biológica ou química. A gente só conseguiu identificar, dosar, através de um aparelho da Marinha, o nível de oxigênio nos porões, que deu 8%. Ou seja, qualquer pessoa que entrasse ali ia falecer imediatamente”, relatou a delegada.
O acidente
Segundo informações da Polícia Militar, o acionamento ocorreu por volta das 14h de sexta. Os policiais chegaram no local e já encontraram algumas pessoas intoxicadas. Foi feito o isolamento da área e a reanimação cardiorrespiratória de algumas vítimas, com apoio do Corpo de Bombeiros.
As vítimas fatais foram o prático da balsa, José Tavares Sobrinho, 38, e um diarista, Arisson Abelardo Albuquerque, 42, que foram atendidos no Hospital do Exército. O carregador Manuel Mendes Uchoa, 39, está internado na UTI do Hospital do Exército.
“Ontem não houve explosão. No final da tarde, houve um foco de incêncio na balsa, que foi contido pelo Corpo de Bombeiros. A balsa vai ser retirada do porto e vai para um local de quarententa por orientação da Marinha, com quem estamos trabalhando em parceria, assim como com o Corpo de Bombeiros”, afirmou a delegada.
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