O espírito da concessão de placas para taxistas, pelo poder público municipal, é que cada uma delas seja instrumento de subsistência do proprietário. Não cabe, desse modo, a existência de frotas de táxis.
Na rua Portugal, bairro do Japiim, pode-se ver todos os dias centenas de carros estacionados. Dizem que é uma frota pertencente a um único (e rico, e poderoso) empresário do setor. Ele é dono de algumas placas, como empresa (uma permissão antiga da Câmara Municipal admitiu isso), e de todos os carros. Cada taxista paga R$ 100/dia, a título de aluguel. Isso dá R$ 3 mil/mês ou 36 mil/ano. Em cinco anos, o motorista pode ficar com o carro, mas sem a placa de táxi. O faturamento (cinco anos a R$ 36 mil) é de R$ 180 mil e não gera qualquer despesa porque gasolina e manutenção em geral fica por conta do motorista. O carro comprado por esse tubarão, como frotista, fica em torno de R$ 28 mil – a concessionária dá uma descontão por causa do grande volume de compra.
Se faltar um mês para os cinco anos e o pobre taxista não conseguir pagar uma mensalidade, ele fica sem o carro e sem qualquer indenização. O contrato é de locação.
Há outros nesse, digamos, ramo. Dizem que são dez. Não pode, diferente dos highlander, ter nenhum. A permissão “oferecida” pelos vereadores, em 1998, era de apenas dois anos para a existência do frotista. Na hora “H’, o vereador Walter Lira apresentou uma emenda acabando com essa limitação. O que era temporário passou a ser definitivo.
Se for correta a conta que recebi – e cabe à SMTU verificar – há proprietário com perto de 400 carros. Ficou milionário, explorando uma das categorias mais carentes e necessárias à vida de Manaus. E contrariando o espírito da concessão.