05/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Semana de Aniversário do Bosque da Ciência oferece mais de 70 atividades e entrada gratuita

Publicado em 03 de abril, 2019

Em 24 anos de funcionamento, o Bosque da Ciência do Inpa tornou-se um importante instrumento de educação ambiental, popularização da ciência, espaço de lazer, cultura e destino turístico de Manaus. Atividades comemorativas seguem até domingo. Foto: Arquivo

Com programação especial e entrada gratuita, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) deu início na terça-feira (02) à Semana de Aniversário de 24 anos do Bosque da Ciência, o espaço de visitação do Instituto, localizado na rua bem-te-vi, s/nº, Petrópolis, zona Sul de Manaus. Visitas guiadas, jogos, exposições educativas e tecnológicas e apresentação cultural com bandas instrumentais continuam até domingo (07). Confira aqui a programação.

Inaugurado em 1º de abril de 1995, hoje o bosque é importante instrumento para o desenvolvimento de projetos e ações de educação ambiental, cultural, popularização da ciência e destino turístico da cidade. O projeto Circuito da Ciência, no qual as escolas participam no Bosque de uma “aula a céu aberto” com visitas guiadas a estandes, oficinas e atrativos, é uma das ações de sucesso, que também completou 20 anos no último dia 1º.

“Essas atividades cumprem um papel de contato das crianças e jovens com a ciência, com a natureza e questões ambientais”, destacou a coordenadora de Extensão do Inpa, Rita Mesquita. “A pauta passa também por questões centrais para a convivência humana, como padrão de consumo, origem das coisas, e também por uma ética diferenciada de reconhecimento de valor, como dos serviços ambientais que a natureza presta, entre eles a estabilidade do clima, que ninguém paga por eles e que todo mundo se beneficia”, completou.

Na programação constam mais de 70 atividades, nas quais o visitante poderá encontrar a oficina de educação ambiental da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), meliponicultura da Amazônia, benefícios do consumo e tecnologias do pescado, oficina de artefatos de madeira, malária e dengue, Aquabosque (piscicultura e sanidade do pescado), pintando nas trilhas, frutos da Amazônia, Conhecendo o Biotério, Macrofungos, Visitas Guiadas (Flora do Bosque, Viveiro de Jacarés e Alimentação de quelônios), Escoteiros, Planetário.

No sábado haverá apresentação cultural com as bandas instrumentais Planetarium e Salve Madre, das 9h30 às 10h30, e das 15h às 16h30, respectivamente, na área da Ilha da Tanimbuca. Atualmente o Bosque da Ciência recebe uma média de 120 mil visitantes por ano.

“Temos uma média de seis atividades por dia em cada turno e a presença de grupos familiares, visitantes em geral, em pleno dia útil, o que é muito positivo, além de escolas. Isso mostra que o Bosque é um destino de lazer e conhecimento para todos os grupos”, ressaltou o coordenador do Bosque, Alexandre Buzaglo.

Novidades

Atualmente, a Casa da Ciência, que é um dos atrativos mais visitados do Bosque da Ciência, está fechada para reforma e modernização do acervo e estrutura. A previsão é que o espaço seja aberto ao público em junho deste ano.

O Bosque também tem recebido outras novidades como o aplicado em 3D Trilha Animal, que permite mais interação e informações qualificadas sobre sete animais (peixe-boi, ariranha, jacaré, poraquê, preguiça, cotia e macaco). O sistema foi desenvolvido pelo Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia, em parceria com o Inpa.

Outra novidade que será lançada em breve é o Giulia Mão que Falam, desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em parceria com a Startup Map Innovation e o Inpa. Baseado em inteligência artificial, o aplicativo oferecerá um roteiro inclusivo para as pessoas surdas, rompendo as barreiras e dando acesso aos espaços público de lazer e turismo.

Jacarés e quelônios

Interessados na Visita Guiada ao Viveiro de Jacarés, cerca de 20 alunos do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) Zona Leste de Manaus do curso pós-Médio de Recursos Pesqueiros conheceram a ecologia do animal, como vivem e comem, e a importância dos jacarés para o ecossistema, como controladores de pragas urbanas (ratos). A visita dos alunos contou a supervisão da professora do Ifam da disciplina Manejo de Quelônios e Jacarés, Kilma Neves.

“A visita está sendo muito boa, estou conseguindo pegar bastante informação sobre os quelônios e jacarés. E já estou pensando em desviar minha área de criação de tambaqui para o manejo de jacarés, principalmente pela importância comercial do couro”, disse o estudante Gabriel Silva da Costa.

No Inpa, são encontradas três espécies. O jacaré-açu, um dos maiores jacarés do Brasil com o macho podendo chegar a 5m de comprimento; o jacaré-tinga, um jacaré um pouco menor que vive na cidade próximo aos igarapés e pode ter até cerca de 3m e o jacaré-coroa, o mais comum em Manaus, com o macho chegando a 2,70m.

No Cequa, alunos e visitantes tiveram a oportunidade de conhecer de pertinho 15 das 17 espécies de quelônios da Amazônia, além de um filhote de jacaré-coroa. Uma das espécies mais curiosas é o mata-matá (Chelus fimbriatus), que tem “aparência jurássica” (carapaça coberta com projeções semelhantes a pirâmides), cabeça plana triangular com olhos pequenos, se camufla como folha e possui alimentação bem diferente das outras “tartarugas da Amazônia”. Ela é uma das poucas tartarugas que são completamente carnívoras, alimendo-se basicamente de peixes capturadosna estratégia de sentar e esperar a presa.

“O mata-matá não possui os bicos córneos (equivalente a dentes nos quelônios) como as demais tartarugas, que são de queratina, fortes e facilitam no corte de alimentos. Por conta disso, ele se alimenta por sucção. Quando vê o peixe, o mata-matá estica o pescoço para frente em um súbito movimento e suga o peixe inteiro”, contou a estagiária de zootecnia do Cequa, Tahuana Leão.

Saiba Mais

O Bosque da Ciência foi inaugurado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso no dia 1º de abril e o espaço de visitação do Inpa marcou a abertura das portas da Instituição para a sociedade. Na época havia uma forte pressão urbana sobre esse fragmento florestal e a necessidade de socializar com o público o conhecimento produzido no Inpa, uma referência mundial nos estudos da biodiversidade e dos ecossistemas amazônicos. A residência do diretor foi transformada em Casa da Ciência, dando início ao Bosque.

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