Quase todo dia se ouve a notícia de que a obra de um porto afundou. Agora mesmo, em Humaitá, o porto inaugurado com pompa e circunstância pela candidata a presidente Dilma Housseff e o candidato ao Governo do Amazonas Alfredo Nascimento está interditado. O de Parintins vai ao fundo. Em Novo Airão, uma placa indica que foram gastos R$ 15 milhões e mesmo os leigos se indagam se o preço justo, com toda boa vontade, conseguiria passar dos R$ 3 milhões. Em Itacoatiara e Manaquiri as passarelas quebraram. E vai ficar por isso mesmo?
Ok, vamos descontar a eleição. Interferir agora pode significar favorecimento de um ou outro candidato. Mas os Ministérios Públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF) e os Tribunais de Contas do Estado (TCE) e da União (TCU) precisam estar preparados para, encerrado o pleito – em 30 dias –, iniciar uma fiscalização rigorosa de toda essa dinheirama que está sendo gasta sem oferecer o serviço à qual foi destinada. Inclusive com a competência profissional da Polícia Federal.
Há vários aspectos a serem considerados. Estive em Autazes. Fiquei escandalizado com o porto. A maioria das embarcações que circula no Município é pequena. A plataforma de embarque e desembarque é alta. Parece ter sido preparada para receber transatlânticos. A impressão é que conceberam o porto para gastar, sem se preocupar se atenderia às necessidades da população.
Porto, no Amazonas, é fundamental. Poucos conseguem pagar os preços das passagens aéreas, que estão pela hora da morte. E 100% dos suprimentos do comércio no interior é feito pelos rios. Não dá para assistir, de braços cruzados, tanto dinheiro indo por água abaixo.
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