25/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Política e contradições

Publicado em 12 de julho, 2010

Começou a campanha eleitoral. Mesmo os políticos mais dissimulados, a esta altura, já tomaram partido, literalmente. Partido e coligação. As contradições afloram.

Na mais flagrante de todas, o candidato criticava abertamente o adversário e dizia que até aceitaria uma aliança com Alfredo Nascimento, desde que este aceitasse ser o vice na chapa dele. O tempo passou e o resultado foi que Serafim Corrêa é que acabou vice.

As contradições são tantas que tem muita gente com vergonha de declarar publicamente os nomes de seus candidatos. E os políticos mais experientes procuram gravitar, de um lado para o outro, mantendo o mínimo de compromisso possível, para ganhar o máximo de voto.

É nesse momento que muitos confundem política com cristianismo. São os que procuram anjos ou arcanjos entre os políticos. É quase impossível encontrar, infelizmente. É a Bíblia, aliás, quem afirma que “não há um (humano) justo, nenhum sequer”. E o Novo Testamento ressalva apenas a figura de Jesus.

O pior desse mundo, porém, é o “apolítico”. O sujeito, julgando-se altamente informado e “politizado”, em flagrante contradição, afirma, com ar superior, que “político nenhum” terá o seu voto.

Eleito, no entanto, o político assume o comando da sociedade. O mesmo eleitor que vira as costas à política vai passar na rua esburacada, xingar o trânsito que não anda, chorar pitangas quando a próxima invasão desvalorizar o terreno que a família guarda há tantos anos e pagar pela urbanização dessa fonte do seu prejuízo.

O “apolítico” também vai pagar os impostos que os políticos cobrarão, para cobrir a folha de pagamento inchada pelo aparelhamento da máquina por seus correligionários – competentes ou não, concursados ou não, prestando serviço bom ou ruim ao distinto público ou não.

O correto, portanto, é defender o seu candidato, de peito aberto, de cara limpa, com todas as contradições que possa ter. É desse processo democrático, em que defeitos e virtudes afloram com o máximo possível de clareza, que emergirá uma sociedade mais limpa, transparente, organizada e capaz. Ninguém precisa vencer, o tempo inteiro, o concurso de “miss simpatia”.

A boa política, hoje, é o equilíbrio das contradições. Mas nada de confundi-las com cinismo, cara-de-pau ou oportunismo. Aí é outra história. Afaste a hipocrisia. Repudie os hipócritas. E busque a virtù em quem tem o melhor espírito público.

A boa política se constrói por dentro. Afinal, se está tão ruim é porque você, que se julga tão bom, está de fora dela.

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