1988. Cacá, Careca e Roca (Carlos Alberto Ferreira, João do Carmo e Rogério de Jesus), três public relations natos da colônia parintinense em Manaus, mais ‘tio” Mazinho e Aldemir Negrão, começaram a convidar os amigos para “tomar um tacacá e tomar uma cervejinha”, numa casa da Ica da Maceió. Roca convenceu um vizinho, Carlinhos, que trabalhava na Petrobras, a ceder um bar que havia construído no terreno dos fundos (Roca era vizinho) para os encontros. Foi a semente do Bar do Boi.A coisa começou a crescer. Foram aparecendo outros produtos parintinenses. Até peixe frito (pacu fresquinho!) era disponibilizado para os frequentadores. Um foi contando para o outro, o número de caixas de cerveja vazias aumentando, o engarrafamento nas ruas próximas se tornando insuportável, o volume do som subindo e veio a transferência para o terreno do Ministério da Agricultura, que atravessa da Recife para a Maceió, em frente ao Manauara.
No começo, o espaço parecia grande demais. Havia muita desconfiança e preconceito com o boi bumbá e a toada.
Começamos a divulgar a festa no Caderno de Cultura do Amazonas em Tempo, ainda dirigido por Hermengarda Junqueira, que logo resolveu conferir de perto aquela história. A colunista Elaine Ramos (falecida), o repórter Eduardo Gomes e outros, compraram a idéia com a Menga. Elaine vestiu a camisa (infelizmente, a do Garantido). Os outros jornais e TVs se aproximaram.
Era aberto apenas o lado da Recife. Engarrafou. Foi necessário abrir também o lado da Maceió.
Era coisa exclusiva do Caprichoso, mas Julião, Pampico, Val, Pelé e outros, amigos muito próximos, começaram a aparecer por lá. Logo exigiram um espaço para as toadas. Cada um tinha direito a cantar três toadas e eles fraudavam, repetindo 200 vezes cada uma – êta, tempo da rivalidade boa!!! As meninas impuseram a “aeróbica da Baixa”. Logo estavam levando tambores e batuqueiros próprios. E nós somos democratas mesmo, mas se a gente não se esperta eles tomavam conta de tudo!
A coisa ficou, assim, digamos, ecumênica, durante anos. Até que resolvemos angariar recursos para equipar a Marujada de Guerra. E o Caprichoso arrebentou.
O espaço estava pequeno e houve a mudança para a TVLândia, no local onde hoje é o Manaus Plaza.
O Garantido ainda tentou segurar por lá, mas o sucesso era grande demais, o dinheiro transferido para Parintins cresceu e veio a separação, com a criação do Curral do Garantido, no Olímpico – outro grande sucesso.
O que vale, à guisa de comemoração desses 22 anos de Bar do Boi, é o sentido gregário de toda uma geração de parintinenses, inclusive alguns não nascidos em Parintins – os queridos parintinenses honorários. Cito, por questão de justiça, Afrânio Viana, Joãozinho (dono do restaurante Moranguetá) Mercinha e Fernando Marinho, Sérgio Viana, Roselene, Henrique, Andréa e Elaine Medeiros, Lélio Lauria (o secretário estadual de Justiça e Cidadania), Ariosto, Mônica Santaella, Arminho e Jacob Cohen, Francisquinho, Idaléia (falecida) Neuzinha (falecida) e Pelé Souza (falecido), Antonio Breves ‘Ferró’, Roberto Santiago, Dodozinho Carvalho, Dalva, Darlene e Kelli Andrade, Goreth e Ângela Garcia, Neide Monteiro, José Patrocínio (figura!), Zezinho Cardoso, Salviano e Vera Cid, Peta Cid, Edinaldo, Wallace e Iná Lopes, Nazaré Leitão, Pedro José Cavalcante, Eny Mendes, Rita Teixeira, Braga Neto, além de todos os anteriormente citados acima. Mas há muitos outros.
Chico da Silva, por exemplo, lançou no Ministério da Agricultura sua primeira toada de Boi Bumbá, “Azul e Branco”. Do Caprichoso, claro.
Sugiro que Roca, hoje novamente presidente do Movimento Marujada, pegue a relação dos sócios daqueles primeiros tempos e procure lembrar na festa deste sábado.
Foi um momento muito bonito. Hoje, com a toada desgastada, o público no Bar do Boi caiu. Não sossego enquanto não conseguirmos fazê-lo novamente grátis, pura promoção do Caprichoso (o Festival não precisa mais de promoção) e parando de dar prejuízo. Algo assim estará mais à altura do esforço que Roca e vários outros fazem para mantê-lo de pé.
Neste sábado, outra vez, vamos ao Bar do Boi, nos moldes antigos, excepcionalmente no Olímpico Clube – o Sambódromo será palco da festa milionária do trabalhador. Vamos dar um abraço num amigo. Como sempre foi o espírito da coisa.