A disputa para o Governo do Estado, segundo rumores ouvidos nos bastidores da política estadual, começa com o novo governador do Estado, Omar Aziz, à frente em Manaus. Números de diversas pesquisas que circulam nos bastidores, embora sem autorização para serem divulgados, mostram que a liderança geral, embora praticamente em empate técnico, ainda é do agora ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento.
Falam alto na capital, a favor de Omar, as obras do Prosamim, especialmente na Zona Sul, a Avenida das Torres e a ponte sobre o rio Negro.
No interior, por incrível que pareça, quanto mais demora para entregar os portos prometidos na campanha para o Senado, em 2006, Alfredo cresce. É por aí que os prefeitos se queixam da demora do Estaleiro Rio Amazonas (Eram), responsável pela construção dessas obras na maioria dos Municípios, mas o finalmente senador não mexe uma palha para removê-lo.
Esses mesmos prefeitos continuam fiéis ao ministro porque os recursos estão todos empenhados, mas a liberação financeira, o dinheiro vivo, ocorre em conta-gotas. Em outras palavras, a obra vem, a população quer e espera, mas o prefeito tem que falar bem de Alfredo ou então o Município pode ficar de fora do pacotão que ele deixou pendurado no Ministério dos Transportes e que garante empregos valiosos para a economia estagnada do interior.
No meio dessa disputa também há uma ironia. Alfredo se elegeu senador prometendo os portos, o asfaltamento da BR-319 e a duplicação da BR-174, até Presidente Figueiredo, mas porque retirou a credibilidade para essas promessas da larga vantagem do presidente Lula, então candidato à reeleição, e acenando com a possibilidade da volta dele ao Ministério dos Transportes. Agora, para emplacar as promessas que quiser, dependerá da vantagem da ministra Dilma Rousseff, de quem é amigo pessoal.
Omar e Serafim, integrantes da “base aliada” do Governo Lula – e aí a grande ironia –, terão que contar com um bom desempenho do ex-governador de São Paulo José Serra para equilibrar a disputa.
O Amazonas votou majoritariamente com o vencedor nas disputas presidenciais deste período democrático. Foi assim com Collor, Fernando Henrique duas vezes e Lula duas vezes. Se essa tendência se mantiver, o resultado das pesquisas eleitorais nacionais serão decisivas para a disputa majoritária local.
Correndo por fora, mas estribado nos cerca de 26% de votos que traz desde a derrota para Amazonino Mendes, na eleição municipal, está o ex-prefeito Serafim Corrêa. Ele costuma crescer quando começa o horário eleitoral gratuito na TV. Foi por aí que surpreendeu Omar Aziz e ganhou a vaga contra Amazonino no segundo turno da disputa de 2008. Sua estratégia deve ser ocupar o vácuo de Alfredo e Omar, esperando que se engalfinhem e um dos dois dispare na disputa, tirando voto do outro. Isso garantiria para Sarafa uma vaga no Segundo Turno.
Dois outros personagens, mesmo sem participar diretamente da disputa, serão decisivos: o ex-governador Eduardo Braga e o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes. Braga já se definiu por Omar. Amazonino tem dado sinais em direção a Alfredo, mas mostrou, em outras eleições, que seu envolvimento direto em favor de outrem não é, digamos, tão empenhado. Pode, no entanto, tapando buracos, melhorando o trânsito e falando bem de um candidato, conseguir os votos decisivos numa disputa apertada.
A corrida eleitoral de 2010 disparou.