07/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

“Salve” da FDN que ameaça juiz, promotor e ex-secretário é alvo da polícia e Judiciário. Narcotraficante João Branco foi condenado a 30 anos

Publicado em 02 de maio, 2018

"Salve" atribuído à FDN traz ameaças ao Judiciário

No último dia 14 de abril, Justiça condenou o narcotraficante João Branco a 30 anos e 2 meses de prisão pelo homicídio do delegado Oscar Cardoso. “Salve” atribuído à FDN traz ameaças a promotores, juiz e ex-secretário. Foto: Arquivo

Dois promotores públicos, um juiz e o ex-secretário de Inteligência da segurança são ameaçados por um “salve” da facção criminosa Família do Norte (FDN), que tem circulado nas redes sociais na última semana.

O “salve” é uma espécie de recado dos integrantes para decisões tomadas ou ordens a serem executadas pelos chamados soldados do crime.

Os promotores citados na mensagem são os que atuaram no caso do delegado assassinado Oscar Cardoso, cujo julgamento foi concluído no último dia 14 de abril, em Manaus. Com o julgamento, o narcotraficante João Pinto Carioca, o João Branco, um dos chefões da FDN, foi condenado a 30 anos e 2 meses de prisão pelo homicídio.

A mensagem fala dos promotores Ednaldo Medeiros e Geber Mafra, além do ex-secretário Thomaz de Vasconcelos Dias.

Judiciário

O Poder Judiciário informou que desde as primeiras ameaças, ocorridas durante a crise mais grave do sistema prisional, em janeiro de 2017, as “medidas de segurança necessárias vem sendo adotadas”. O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) não entrou em detalhes sobre as medidas adotadas.

O promotor Ednaldo, que atua no caso desde o início, disse que não se posicionaria sobre possíveis ameaças e que só atua nos autos do processo.

Para o diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), delegado Guilherme Torres, ainda não foi confirmado de onde realmente saiu o “salve” e que tem sido muito comum notícias falsas, com o objetivo de criar pânico e instabilidade nas instituições.

“Contudo, o julgamento do João Branco, com a condenação de todos, demonstra, claramente, que as instituições responderam à altura”, falou.

O “salve”

A mensagem divulgada como da FDN deixa evidente, novamente, o racha da facção criminosa com o Comando Vermelho (CV) no Estado.

Considerado um dos fundadores da facção no Amazonas, o traficante Gelson Carnaúba, detido no presídio federal de Catanduvas (PR), hoje no CV, é alvo do “salve”, que o chama de “cobra” e “safado”, e que diz que se “querem guerra, vocês vão ter”.

Condenados

O narcotraficante João Pinto Carioca, o João Branco, foi condenado a 30 anos e 2 meses de prisão, em regime fechado, pelo assassinato do delegado da Polícia Civil, Oscar Cardoso. O crime ocorreu em 2014. A sentença foi proferida no dia 14 de abril.

Além de João Branco, foram condenados Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, a 25 anos e 11 meses de detenção; Diego Bruno de Souza Moldes, que levou 25 anos e 11 meses; e Messias Maia Sodré, condenado a 21 anos e 4 meses.

Mais de 15 horas

Do início do julgamento até o fim, o julgamento levou quase 15 horas, e foram ouvidas oito testemunhas, de um total de 12, sendo duas delas confidenciais. Esta foi a sexta vez que a Justiça tentava julgar os réus na Ação Penal nº 0232023-39.2014.8.04.0001.

A defesa

A defesa dos condenados no caso ficou de entrar com uma justificação judicial para produzir novas provas e sobrestar o julgamento da apelação.

Também há um pedido dos advogados para ter acesso a um backup do antigo sistema Guardião, da Secretaria de Segurança, que funcionava na época do crime e que em 2014 sofreu um incêndio.

Uma das alegações da defesa é que a própria Polícia Civil seria responsável pela morte do delegado Oscar Cardoso, e que o sinistro, inclusive, serviria para encobrir possíveis provas.

Os advogados ainda citam que testemunhas ausentes devem ser chamadas, incluindo a viúva da vítima, que teria informações que o marido, na época, teria deixado uma carta informando que “se morresse, a polícia seria seu algoz”.

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