Roberto Piñedo, o Negro, morto na madrugada deste sábado (08/01), por volta de 1h, e Luís Tomate, o Jeringa, que morreu quinta-feira (06/01), ambos em troca de tiros com policiais federais, eram seguranças do tráfico peruano. Os dois dispararam os tiros que mataram Leonardo Matsunaga Yamaguti, 26, e Mauro Lobo, 43, além de terem ferido na perna Charles Nascimento, 35.
Os traficantes não costumam reagir a tiros nas abordagens policiais. A Polícia Civil amazonense, porém, está na reta final da investigação do que chamam de “arrocho”, no rio Solimões e seus afluentes. “Arrocho” é quando policiais abordam os barcos que trazem droga, matam os traficantes, enterram-nos nas margens dos rios e fazem, eles mesmos, o resto do transporte e a venda.
Os agentes da PF, naquele 17 de novembro, abordaram a embarcação em que Negro e Jeringa eram os seguranças, com 290 quilos de cocaína do “chefão” peruano, Jair Ardela Michue, o Javier. Armados de modernos fuzis, eles reagiram e mataram Leonardo Matsunaga e Mauro Lobo.
Só que aí cometeram um erro. Mauro era um dos melhores e mais respeitados agentes da PF. Seus amigos formam a elite da instituição. Eles se deslocaram de todo o Brasil, vasculharam rios e matas e não descansaram até confrontar novamente os dois perigosos traficantes.
Perigosos? Muito. Negro saiu ferido no primeiro confronto. Pouco antes de morrer, Mauro teria conseguido atingi-lo na perna. Jeringa o arrastou, esses quase dois meses. Foi o rastro de sangue na mata, aliás, que muitas vezes recolocou os policiais no encalço deles.
O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Sérgio Fontes, repetiu, no CBN Manaus de sexta-feira (07/01): “Não temos nada com isso. Não vamos permitir que eles exportem essa cultura de confronto armado para o Brasil… A Colômbia produz 80% da cocaína do mundo… O novo ministro da Justiça tem se mostrado preocupado”.
Ouça a entrevista completa:
Superintendente da PF-AM, Sérgio Fontes, fala sobre o confronto com o tráfico de drogas
Os fatos mostram dois mortos de cada lado. Ninguém pode duvidar que uma guerra entre o tráfico internacional e a polícia brasileira está instalada. Nessa pequena embarcação abordada no dia da morte dos agentes foram encontrados 290 quilos de cocaína. O tráfico trabalha em ritmo industrial. E continuou, apesar da ação da PF na área. Todo policial que trabalha no meio sabe que o máximo apreendido é uma parcela do que passa. Logo, essa embarcação trazia uma parte pequena do que passou em nossos rios.
A PF-AM aumentou seu efetivo na fronteira do Alto Solimões de 15 para 50 homens, mais os reforços da Força Nacional e do Batalhão Raio, da PM-AM, num total de cerca de 180. Mas precisa de 300 homens, no mínimo, para se tornar, como se diz na linguagem policial, operacional.
Será que o Governo Federal vai continuar de costas para isso?