18/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Narcotraficante “João Branco” usa direito de não falar e outros 3 réus alegam tortura. Julgamento recomeça hoje

Publicado em 26 de agosto, 2017

Neste sábado julgamento será retomado pela manhã, para ouvir defesa de “João Branco”, seus advogados. Ontem à noite, até às 23h50, foram ouvidos pelo Tribunal do Júri os cinco réus acusados de assassinar o delegado Oscar Cardoso, em 2014. Foto: PMS

Mais três réus acusados do assassinato do delegado da Polícia Civil, Oscar Cardoso, foram ouvidos até às 23h50 desta sexta-feira (25), no primeiro dia do julgamento na 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, no Plenário Luiz Augusto Santa Cruz Machado, no Fórum Ministro Henoch Reis, bairro São Francisco. Cinco são acusados de planejar e executar o homicídio do delegado em março de 2014.

O primeiro réu a ser ouvido foi o narcotraficante da Família do Norte (FDN), João Pinto Carioca, 42, o “João Branco”, que usou o direito constitucional de “se manter calado”.

As perguntas serão feitas aos seus advogados neste sábado (26), no retorno da sessão, previsto para às 8h30. “João Branco” participa via videoconferência, direto do presídio federal de Catanduvas (PR), onde está preso. O interrogatório aos advogados do narcotraficante será feito pelo juiz da Vara do Tribunal do Júri, Anesio Rocha.

Segundo a ser ouvido na noite, Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, negou envolvimento na morte, assim como negou conhecer os outros três réus. Sua defesa sustenta que ele foi torturado pelo delegado Paulo Martins (que foi ouvido mais cedo, como testemunha de acusação). O depoimento de “Marcos Pará” foi um dos mais longos, levando quase três horas.

O Tribunal do Júri ainda ouviu o réu Mário Jorge Nobre Albuquerque, “Mário Tabatinga”, Diego Bruno de Souza, e o cunhado dele Messias Sodré, que também afirmaram perante o Júri que foram torturados e coagidos durante as investigações e o desenrolar do inquérito policial. Todos acusaram o delegado Paulo Martins, que na época estava à frente da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

Diego e Messias afirmaram que apenas viam “João Branco” na área do regime semiaberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde cumpriam penas juntos, não tendo outras ligações com o narcotraficante.

Acusado de fornecer carros para a organização criminosa FDN e o veículo usado no dia do crime do delegado Oscar Cardoso, “Mário Tabatinga” disse que conhecia o narcotraficante em razão de negócios que mantinha com a mulher do líder da facção criminosa, que alegou ter sido sequestrada e estuprada por um grupo ligado ao delegado assassinado.

O réu explicou que é empresário do ramo de aluguel e venda de carros, e que um dos veículos que havia negociado, o Gran Siena branco, que a denúncia cita como um dos usados pelos criminosos no dia da execução, tinha sido fornecido por ele. “Mário Tabatinga” disse que Messias e Diego foram buscar o carro.

De acordo com o juiz Anésio Rocha Pinheiro, o júri será retomado com os debates entre promotores e advogados. Cada parte terá o tempo de 2h30. Caso haja réplica e tréplica, cada um terá o tempo de 1h30. Sem intervalos, podendo chegar a 8 horas de debates, a previsão é que as 16h comece a votação dos por parte dos jurados. Após a votação, o juiz fará a sentença que será lida aos acusados.

O caso

Segundo o processo de mais de 3 mil páginas, no inquérito policial, no dia 9 de março de 2014, por volta das 16h, no bairro de São Francisco, os acusados e hoje réus, de forma planejada, organizada e utilizando armas de fogo, participaram da morte de Oscar Cardoso.

Segundo as investigações, o delegado estava em uma banca de peixe conhecida como Banca do Marcelão, quando um veículo parou e os ocupantes, apontados como João Branco, “Marcos Pará”, Messias, “Maresia” e “Marquinhos Eletricista”, desceram e efetuaram vários disparos contra a vítima. Do local, foram recolhidas 22 cápsulas de pistola calibre 40 e 11 de pistola calibre 9 milímetros.

Com base no inquérito policial, o Ministério Público do Estado denunciou cinco pessoas envolvidas na execução do delegado. “João Branco” é acusado de ser o principal mandante do crime. Serão ouvidas testemunhas de defesa e acusação, num total de dez pessoas convocadas para depor.

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