
Boletim de órgãos federais prevê aumento da ocorrência de enchentes, estiagens, ondas de calor e queimadas até o início de 2027 (Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)
O fenômeno El Niño deve ganhar força ao longo do segundo semestre de 2026 e alcançar intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão, aumentando o risco de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do país. A previsão consta no Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, elaborado por órgãos federais de monitoramento meteorológico, hidrológico e de defesa civil.
Segundo o documento, há 100% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo pelo menos até o início de 2027, com alta chance de atingir a categoria “muito forte”, caracterizada pelo aquecimento superior a 2°C das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
Embora ocorra distante do território brasileiro, o El Niño altera a circulação atmosférica e influencia o regime de chuvas e as temperaturas, favorecendo a ocorrência de enchentes, estiagens prolongadas, ondas de calor, queimadas e temporais. Os especialistas destacam, no entanto, que seus efeitos podem variar conforme a atuação de outros sistemas meteorológicos.
Na Região Sul, a expectativa é de chuvas acima da média, com maior risco de cheias de rios, alagamentos e deslizamentos de terra. O cenário exige atenção porque o solo já apresenta alta umidade, o que pode intensificar os impactos de novos episódios de chuva intensa.
Na Região Norte, especialmente na Amazônia, a tendência é oposta: redução das chuvas, temperaturas elevadas e atraso no período chuvoso. O boletim alerta para a intensificação da estiagem, queda no nível dos rios, aumento do risco de incêndios florestais e possíveis prejuízos à navegação, ao abastecimento de água e às atividades econômicas dependentes dos rios.
O Nordeste também deve enfrentar redução das chuvas, prolongamento da seca e maior pressão sobre rios e reservatórios, principalmente na porção norte da região. Já no Centro-Oeste, a previsão indica atraso no início das chuvas, calor intenso, baixa umidade do ar e aumento do risco de queimadas.
No Sudeste, os principais impactos esperados são temperaturas acima da média, ondas de calor mais prolongadas e irregularidade no início da estação chuvosa, cenário que pode agravar períodos de seca e elevar a demanda por água e energia elétrica.
Diante da previsão, os órgãos responsáveis recomendam que a população acompanhe os avisos meteorológicos e os alertas da Defesa Civil, além de adotar medidas preventivas em áreas sujeitas a enchentes, deslizamentos, incêndios florestais e outros eventos extremos. O Painel El Niño continuará divulgando boletins periódicos para orientar ações de prevenção e resposta ao longo da evolução do fenômeno.
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