05/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

EUA firmam acordo nuclear com Arábia Saudita e autorizam enriquecimento de urânio

Publicado em 23 de julho, 2026

Irã ameaça elevar enriquecimento de urânio a nível militar em caso de novo ataque

Pacto permite que o reino desenvolva programa nuclear civil com tecnologia norte-americana, sem exigir inspeções surpresa da ONU. (Foto: Shutterstock)

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita assinaram um acordo de cooperação para o desenvolvimento de energia nuclear civil que autoriza o reino saudita a enriquecer urânio e construir reatores com tecnologia norte-americana. Diferentemente das exigências feitas anteriormente ao Irã, o pacto não obriga Riad a aderir ao Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), que permite inspeções sem aviso prévio em instalações não declaradas.

As negociações sobre um acordo nuclear entre os dois países se estendem há anos, passando pelos governos de Donald Trump e Joe Biden. O impasse persistia devido às preocupações de especialistas em não proliferação, que alertam para o risco de o programa servir de base para o desenvolvimento de armas nucleares.

Atualmente, a Arábia Saudita está submetida às salvaguardas regulares da Aiea, que monitoram apenas as instalações nucleares oficialmente declaradas. O país afirma que pretende ampliar seu programa nuclear para fins pacíficos, incluindo o enriquecimento de urânio, mas declarações anteriores do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman alimentam preocupações internacionais. O líder saudita já afirmou que o reino buscará armas nucleares caso o Irã desenvolva esse tipo de armamento.

O acordo, conhecido como Acordo 123, foi assinado pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e pelo ministro saudita da Energia, príncipe Abdulaziz bin Salman. Segundo o Departamento de Energia norte-americano, o documento também inclui um acordo bilateral de salvaguardas e atende às exigências da Lei de Energia Atômica dos Estados Unidos.

O pacto permitirá à Arábia Saudita enriquecer urânio e reprocessar resíduos nucleares — atividades que podem ser utilizadas tanto para fins civis quanto militares. Em acordo semelhante firmado com os EUA em 2009, os Emirados Árabes Unidos abriram mão dessas duas etapas do ciclo nuclear.

O governo saudita argumenta que, caso não fechasse parceria com Washington, poderia recorrer à China ou à Rússia, países que adotam regras diferentes para cooperação nuclear.

Agora, o acordo será encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos. Os parlamentares terão 90 dias de sessão para analisar o texto e poderão barrá-lo caso consigam votos suficientes. Especialistas em controle de armas defendem que o Congresso rejeite ou altere o acordo, alegando que ele pode aumentar os riscos de proliferação nuclear no Oriente Médio.

Além da cooperação tecnológica, o entendimento prevê um contrato de aproximadamente 30 anos para a construção de reatores nucleares AP1000, avaliado em dezenas de bilhões de dólares, beneficiando a empresa Westinghouse, controlada pela canadense Cameco e pela Brookfield Asset Management.

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