
Entre os benefícios e os transtornos, uma coisa é certa: os moradores das ruas mais disputadas de Parintins vivem o Festival de uma forma diferente (Foto: Divulgação)
Para alguns, o festival de Parintins representa a melhor época do ano para ganhar dinheiro. Para outros, é preciso ter paciência para lidar com a agitação e as mudanças na rotina.
Entre os benefícios e os transtornos, uma coisa é certa: os moradores das ruas mais disputadas de Parintins vivem o Festival de uma forma diferente.
Enquanto milhares de pessoas chegam para celebrar a cultura dos bois, eles acompanham, da porta de casa, a transformação da cidade e fazem parte de um espetáculo que vai muito além da arena.
Bang Menezes, 53 do alto de sua residência localizada na Rua Paraíba no entorno do Bumbódromo, do lado azul têm uma visão privilegiada do Festival. Dali, é possível observar as gigantescas alegorias, parte do cenário montado para o espetáculo e, ao fundo, a arena onde Caprichoso e Garantido protagonizam uma das maiores festas culturais do país.
Mas, a vantagem vem acompanhada de limitações. Durante os dias de apresentação, a garagem da casa permanece fechada, já que os módulos alegóricos ficam posicionados em frente à casa, impedindo a saída dos veículos e alterando completamente a rotina da família.
“O lado bom é que a gente vê as primeiras alegorias chegando, a correria dos paikcés, dos trabalhadores, o movimento das filas, mas não podemos sair de casa, a garagem fica fechada, não podemos sair com o carro”, conta.
Mesmo diante dos transtornos, o morador encontra formas de transformar a experiência em momentos de confraternização. A casa se torna ponto de encontro para amigos e familiares que não conseguiram ingressos para as três noites do festival.
“Aproveito a área e nós vendemos mesas aqui nos altos para amigos que vem para o Festival, Teremos dois telões para acompanhar as apresentações e viver a emoção da disputa. Não dá mais para as pessoas ficarem nas praças, aqui tem conforto e segurança”, afirma.
Moradora da área próxima ao Bumbódromo, Auxiliadora Ferreira que trabalha com comércio, conta que o período do Festival de Parintins traz mudanças que nem sempre favorecem o seu empreendimento. Com o fechamento das ruas e o intenso fluxo de pessoas, muitos clientes deixam de frequentar o local, o que acaba afetando as vendas.
Apesar das dificuldades, ela acredita que o festival é importante para a economia da cidade e reconhece os benefícios gerados pela movimentação financeira.
“Para o meu comércio, acaba prejudicando um pouco porque a área fica fechada e muita gente deixa de comprar. Mas eu acredito que o festival ajuda, sim. É uma movimentação financeira importante, o dinheiro circula e isso beneficia muitas pessoas”, afirma.
Auxiliadora destaca que gostaria de ver esse aquecimento econômico acontecendo durante todo o ano. “A gente gostaria que essa movimentação fosse o ano inteiro, para gerar mais renda e mais empregos para todos. Não podemos contar com utopias, mas com a realidade. E a realidade é que o festival movimenta a economia da cidade”, conclui.
Para quem vive no entorno da festa, os impactos são sentidos de diferentes formas. Entre desafios e oportunidades, os moradores acompanham de perto as transformações que o Festival de Parintins provoca na cidade.
Costureira, Dona Rita Cunha Farias, 72 uma das moradoras mais antigas da Avenida Amazonas, ela acompanha há décadas as transformações que o Festival de Parintins provoca na cidade. Para ela, a movimentação intensa traz benefícios, mas também exige adaptação.
Segundo a moradora, o período do festival altera completamente a tranquilidade da região. O barulho das festas realizadas nas proximidades da Catedral, a circulação constante de pessoas e as dificuldades no trânsito são alguns dos desafios enfrentados.
“É um barulho muito grande. Vem muita gente com boa intenção, outras nem tanto. A gente não conhece as pessoas, é tudo gente diferente. Da frente da igreja para cá, o movimento é muito intenso. O trânsito fica difícil, perdemos a privacidade e eu praticamente nem saio de casa”, relata.
Apesar dos transtornos, dona Rita reconhece que o festival também gera oportunidades. Costureira há muitos anos, ela vê aumentar a procura pelos seus serviços durante a temporada bovina.
“Nessa época, muita gente me procura para customizar camisas dos bois e das festas que acontecem na cidade. É uma renda extra que ajuda bastante”, conta.
Entre o incômodo causado pela intensa movimentação e as oportunidades de trabalho, dona Rita representa a realidade de muitos moradores da Avenida Amazonas, que vivenciam o Festival de Parintins de dentro de casa, acompanhando de perto as mudanças que a festa traz para a cidade.
Josenete Araújo – Especial para o Portal Marcos Santos
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