08/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Um sonho, duas gerações: pai e filho transformam amor em arte no galpão do Caprichoso

Publicado em 13 de junho, 2026

Foto: Divulgação

PETA CID
Especial para o Portal do Marcos Santos

A magia do Festival de Parintins não está só nas apresentações esplendorosas na arena do Bumbódromo, o fantástico da festa é como ela transforma vidas e os sonhos das famílias que constroem o espetáculo.

No coração do galpão do Boi Caprichoso, onde ferros e isopor ganham forma, as cores ganham vida, os sonhos se transformam em espetáculo, uma história de 25 anos de amor, dedicação e legado atravessa gerações.

Cria da Escolinha de Arte do bumbá, Paulo Pimentel, 46 anos, viu seu talento crescer ainda menino com as técnicas repassadas por Irmão Miguel de Pascalle. Com dedicação se tornou monitor da escola e não demorou para chegar aos galpões do Caprichoso. Inspirado no artista Juarez Lima, Paulo começou confeccionando indumentárias dos povos indígenas, tuxauas, itens individuais até chegar no topo como artista de alegorias.

Em meio às estruturas monumentais, noites sem dormir e desafios vencidos pela paixão, ele construiu muito mais do que peças artísticas: construiu uma história de vida dentro do Caprichoso.

Ao longo de mais de duas décadas, o galpão se tornou sua segunda casa. Foi ali que testemunhou mudanças, como a construção de dois novos barracões, conquistas e momentos inesquecíveis. Foi ali também que ensinou, mesmo sem perceber, o valor da arte ao filho que cresceu observando cada detalhe daquele universo fascinante.

“Eu posso dizer assim que minha segunda casa é o galpão do Caprichoso, porque aqui me criei e onde começaram minhas inspirações, meu grande sonho de ser um artista do Caprichoso e me sinto realizado. E meu filho cresceu vendo tudo isso e despertou nele o talento pra arte. Eu fico feliz de passar esses ensinamentos pra ele. É uma herança, eu tenho muito orgulho”, expressou.

Foto: Divulgação

Aos 21 anos, o jovem Marcos Paulo Pimentel segue os passos do pai. Herdou não apenas a profissão, mas o amor por transformar matéria-prima em emoção. Desde cedo, ainda criança, acompanhava a rotina dos artistas, admirava o talento dos trabalhadores e sonhava em fazer parte daquela engrenagem que move o espetáculo bovino.

O que antes era admiração infantil se transformou em vocação. Agora, lado a lado, pai e filho compartilham ferramentas, conhecimentos e responsabilidades. Dividem o mesmo espaço de trabalho e o mesmo orgulho de contribuir para a construção de um dos maiores espetáculos culturais do mundo.

“Eu acompanho meu pai desde pequeno, aprendi a esculpir, pintar, desenhar e tudo o que envolve a arte. Aprendo com o mestre que é o meu pai, que é um grande artista, que comanda toda essa engrenagem. Me espelho muito no meu pai. Hoje eu me sinto muito feliz em ver essas obras lindas que ajudo a construir, e estou sempre buscando aprender mais, até porque tenho um mestre do meu lado”, disse orgulhoso.

Mais do que ensinar técnicas, Paulo transmitiu valores ao filho. “Meu pai me ensinou que cada peça criada carrega dedicação, respeito à cultura e compromisso com a história do Caprichoso. Hoje eu sei que a verdadeira arte nasce do amor pelo que a gente faz”, afirmou Marcos.

Entre pincéis, esculturas, soldas e acabamentos, os dois escrevem diariamente um capítulo especial dessa trajetória. “Eu sempre falo que a arte pode ser ensinada, mas a paixão e o talento são cultivadas com o exemplo. Eu sempre quis ser exemplo para meu filho”, afirma Paulo.

No galpão, onde tantos sonhos ganham forma, eles representam a força da continuidade. São o retrato de uma tradição que ultrapassa o tempo e prova que o amor pelo Boi Caprichoso é um legado que passa de pai para filho.

O espetáculo que encanta milhares de pessoas na arena, também existe em emoções silenciosas como a história de uma família que encontrou na arte uma forma de permanecer unida, transformando trabalho em paixão e paixão em herança.

Além de pai e filho, o irmão de Paulo, Preto Pimentel, também faz parte da mesma equipe nos galpões. Para a família Pimentel, fazer arte para o Caprichoso não é apenas uma profissão. É uma história de vida escrita entre gerações, orgulho e amor pelo boi da estrela na testa.

“O Caprichoso me projetou e, hoje, tô aqui dentro do boi desfrutando do meu trabalho e talento, é uma responsabilidade muito grande ter o meu irmão e meu filho junto comigo”, assinalou.

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