
Profissionais que participam da Missão Excelsior conheceram o Curral Zeca Xibelão e relataram forte conexão com o boi azul e branco durante ensaio para o Festival de Parintins. (Fotos: Clara Mourão e Michel Amazonas)
PARINTINS (AM) – A missão humanitária dos Voluntários do Sertão em Parintins ganhou um capítulo marcado pela cultura amazônica na noite desta terça-feira (2). Em meio aos preparativos para o Festival de Parintins 2026, o Boi Caprichoso abriu as portas do Curral Zeca Xibelão para receber profissionais de saúde que participam da Missão Excelsior, operação realizada em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB).
A visita ocorreu durante os ensaios técnicos do espetáculo “Brinquedo que canta seu chão”, tema que o Touro Negro da Amazônia levará para a arena do Bumbódromo nos dias 26, 27 e 28 de junho.
Enquanto a FAB coordena um hospital de campanha instalado no cais do porto da cidade, centenas de profissionais voluntários atuam em atendimentos médicos, odontológicos e farmacêuticos distribuídos por escolas da rede pública municipal. A recepção no curral azul transformou-se em um momento de integração entre a missão de assistência à população e uma das mais fortes manifestações culturais do País.
O presidente do Conselho de Arte do Caprichoso, Ericky Nakanome, agradeceu o trabalho desenvolvido pelos profissionais de saúde e destacou a importância da presença deles na ilha.
A farmacêutica Josiane Canaan, de Araraquara (SP), contou que seu interesse pelo Caprichoso surgiu ainda antes da viagem ao Amazonas.
“Eu fui procurar saber da história, do folclore de vocês. Só que aí eu já vim pensando no Caprichoso. Cheguei aqui, fui olhando e tentei entender como que era a dinâmica da cidade e hoje eu saio com o coração cheio de gratidão. Fomos muito bem recebidos, estamos realizando um trabalho excelente e agora estamos prestigiando esse ensaio no Caprichoso”, afirmou.
Para Launa Falavinha, de Ribeirão Preto (SP), a experiência foi marcada pelo impacto emocional provocado pelo espetáculo cultural.
“Ele significa uma energia que não dá para explicar. Quando eu olho, o coração transborda, o olho brilha, é de arrepiar o corpo. Quando eu cheguei, vi a coreografia, a estrutura, a música. É uma cultura muito vasta, única e exclusiva dessa região. A gente não encontra isso em nenhum lugar no Brasil”, disse.
O sentimento de pertencimento também foi compartilhado por Priscila Vercesi. Segundo ela, o contato inicial com o Caprichoso aconteceu durante os dias de trabalho voluntário em Parintins e rapidamente se transformou em paixão pelo boi azul.
“A minha expectativa era poder trabalhar e ajudar pessoas pelo projeto Voluntários do Sertão. Aí, num belo sábado, a gente terminou de organizar uma farmácia e viemos para o curral para conhecer o Caprichoso. O amor foi de primeira. E aí, conversando com uma pessoa, ela me falou assim: ‘É o boi que escolhe você’. E começou tudo. Não tive dúvida, o Caprichoso me escolheu”, relatou.
A visita reforçou o papel do Festival de Parintins como elemento de integração cultural, capaz de aproximar pessoas de diferentes regiões do País em torno das tradições amazônicas. Para os voluntários que chegaram à ilha com a missão de cuidar da saúde da população, a experiência terminou com um novo vínculo: o de torcedores do boi azul e branco.
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