
Evento em Moscou teve participação de tropas ligadas à guerra na Ucrânia e discurso de Vladimir Putin. (Foto: Reprodução)
Tradicionalmente marcado pela exibição do arsenal militar russo, incluindo mísseis balísticos intercontinentais com capacidade nuclear, o desfile realizado neste sábado (9) na Praça Vermelha ocorreu sem a presença de tanques e equipamentos pesados circulando pelas ruas da capital russa.
Neste ano, armamentos como o míssil balístico intercontinental Yars, o submarino nuclear Arkhangelsk, o sistema de laser Peresvet, o caça Sukhoi Su-57 e o sistema antimísseis S-500 foram apresentados em telões gigantes instalados na praça e transmitidos pela televisão estatal russa.
Durante a cerimônia, soldados e marinheiros — incluindo militares que atuaram na guerra da Ucrânia — desfilaram diante do presidente Vladimir Putin, que acompanhou o evento ao lado de veteranos russos próximo ao Mausoléu de Lenin.
Tropas da Coreia do Norte, que participaram de combates contra forças ucranianas na região russa de Kursk, também integraram a marcha militar.
A celebração contou ainda com sobrevoos de aeronaves militares sobre o Kremlin. Em discurso de cerca de oito minutos, Putin voltou a defender a ofensiva militar na Ucrânia, chamada pelo Kremlin de “operação militar especial”, e afirmou que os soldados russos seguem avançando apesar do apoio da OTAN à Ucrânia.
Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio à ampliação do cessar-fogo temporário entre Rússia e Ucrânia. O acordo de três dias, válido entre sábado e segunda-feira, foi aceito por Moscou e Kiev, que também concordaram com a troca de mil prisioneiros.
Trump afirmou desejar uma extensão da trégua e classificou o conflito como a pior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial.
A Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2022, havia alertado anteriormente que qualquer tentativa ucraniana de interromper o desfile militar resultaria em ataques massivos contra Kiev. Moscou também orientou diplomatas estrangeiros a retirarem equipes da capital ucraniana em caso de escalada militar.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, respondeu de forma irônica ao anunciar um decreto “autorizando” a realização do desfile russo e afirmou que as forças ucranianas não teriam a Praça Vermelha como alvo.
A segurança em Moscou foi reforçada durante o evento, com bloqueios em ruas do centro da cidade e presença de militares armados patrulhando a região.