08/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Crise global pressiona trigo e encarece pão francês

Publicado em 06 de maio, 2026

Crise global pressiona trigo e encarece pão francês

Apesar da trégua nas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, os reflexos da instabilidade internacional continuam afetando cadeias produtivas em vários países, incluindo o Brasil. Um dos setores impactados é o da indústria do trigo, que já prevê aumento nos preços da farinha e de produtos derivados, como o pão francês.

Sindicato

O alerta foi feito pelo Sindicato das Indústrias do Trigo nos Estados do Pará, Maranhão, Amazonas e Amapá (SINDITRIGO), que acompanha os efeitos da alta dos custos globais sobre o abastecimento do cereal.

Atualmente, apenas 40% do trigo consumido no Brasil é produzido internamente. Os outros 60% são importados, em volume estimado em cerca de 6 milhões de toneladas por ano, o que torna o mercado nacional vulnerável às oscilações internacionais.

Na região Norte, o reajuste do trigo e da farinha é impulsionado principalmente pelo aumento dos custos logísticos. A elevação dos preços dos combustíveis e dos fretes, além das dificuldades de atendimento à região, pressionam ainda mais a cadeia produtiva.

Outro fator apontado pelo setor é a necessidade crescente de trigos com maior teor de proteína, exigidos para garantir melhor qualidade dos produtos finais, o que encarece a matéria-prima.

Pão francês

Segundo o Sinditrigo, o custo final do pão francês é formado por diversos componentes. Cerca de 28% correspondem à farinha e outros ingredientes. Outros 14% referem-se a embalagens e mão de obra. A energia elétrica representa mais 28%, enquanto impostos, aluguel e margem de lucro somam 30%.

O presidente do sindicato, Rui Brandão, afirmou que os reajustes se tornaram inevitáveis diante do atual cenário internacional e tributário.

Origem

“Embora a Argentina siga como origem mais competitiva, há limitações na qualidade disponível, exigindo complementação com trigos de padrão superior e maior custo. Adicionalmente, a partir de 1º de abril de 2026, passou a incidir PIS/COFINS sobre a importação, elevando ainda mais os custos. Diante desse cenário, os repasses de preço tornam-se inevitáveis para garantir o fornecimento com o padrão exigido”, declarou.

De acordo com Brandão, praticamente toda a cadeia produtiva ligada ao trigo deverá sentir os impactos da alta. Entre os produtos afetados estão pães, massas, biscoitos, bolachas, bolos, produtos de confeitaria, salgados e diversos itens industrializados à base do cereal.

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