06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Na RDS do Tupé, Ufam inicia projeto de formação digital e científica para jovens ribeirinhos e indígenas

Publicado em 02 de maio, 2026

Foto: Luiz Henrique Almeida

Com o objetivo de capacitar alunos e professores da comunidade São João do Tupé, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé, zona rural de Manaus, nas áreas digital e científica, o projeto “Ribeirinhos Cientistas” oferece, entre abril e maio, cursos voltados a estudantes de 11 a 14 anos. A iniciativa ensina os adolescentes não apenas a divulgar nas redes sociais o ambiente em que vivem, mas também a compreender a natureza e o contexto amazônico em que estão inseridos, para que possam mostrar na internet a realidade e os desafios de quem mora na Amazônia.

A atividade integra o Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática (PPGECIM) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com financiamento da Capes/Ministério da Educação e apoio da Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed), e envolve 18 alunos ribeirinhos e indígenas da RDS do Tupé. Localizada a 30 quilômetros de Manaus e acessível apenas por barco ou lancha, a reserva possui 11.930 hectares protegidos e reúne seis comunidades: Livramento, Julião, Agrovila, Colônia Central, São João do Tupé e Tatu, conhecidas pelo uso dos recursos naturais e pela presença de povos indígenas como Tatuyo, Tuyuka e Dessana.

Segundo a coordenadora do projeto “Ribeirinhos Cientistas”, professora Dra. Thais Castro, a iniciativa envolve alunos e professores da Escola Municipal São João, única da RDS do Tupé, na análise de desafios locais, como as cheias e as secas. As integrantes do projeto, com formação em ciências naturais, biologia, física, matemática e computação, trabalham a partir do conhecimento que os estudantes e suas famílias já possuem. Assim, jovens que já utilizam redes sociais como Instagram e TikTok podem deixar de ser apenas espectadores e passam a ser protagonistas, capazes de registrar o cotidiano, questionar e se engajar nas pautas que afetam suas comunidades.

“O projeto destaca o papel dos jovens cidadãos em formação como futuros cientistas. O objetivo é que, ao final, os alunos tenham uma iniciação científica sólida, valorizem os conhecimentos tradicionais e percebam que também podem ser autores e cientistas. Nos encontros, trabalhamos conceitos básicos de ciência e matemática para estimular a curiosidade e o pensamento crítico. Os estudantes já produzem fotos e vídeos para redes sociais, mostrando que estão prontos para assumir o protagonismo em suas comunidades”, explica.

Entre os jovens participantes do “Ribeirinhos Cientistas” está Luna Blankenhorn, 14 anos, estudante do 9º ano e pertencente à etnia Dessana. Ela vive na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé e já se posiciona sobre os desafios locais, especialmente no acesso à educação, marcado pela dependência do transporte escolar fluvial, realizado pela chamada “lancha escola”. “Considero o projeto muito importante porque nos permite mostrar a realidade da nossa comunidade, como os grafismos indígenas e o ambiente onde estudamos, próximo ao rio e à natureza. Aqui, um dos maiores desafios é o transporte: muitos alunos dependem do barco escolar, mas às vezes ele não funciona, o que atrapalha bastante nossa rotina. Por isso, acredito que deveria haver mais cuidado com essa questão.”

A secretária da Escola Municipal São João, Ila Oliveira, ressalta que, apesar das dificuldades enfrentadas pela comunidade, como transporte precário, falta de energia elétrica e limitações no acesso à saúde, iniciativas educacionais têm fortalecido o vínculo entre escola e moradores. “Projetos como o ‘Ribeirinhos Cientistas’ são fundamentais para dar visibilidade às realidades locais e promover melhorias”, afirma.

Programação

As visitas ao RDS do Tupé seguem um planejamento definido. Em 16 de abril, os alunos escreveram uma síntese sobre o que encontraram e discutiram a contextualização para trabalhar com barcos de propulsão. Em 6 de maio, o foco será propor soluções e sugestões. Já em 29 de maio, está prevista a construção e o lançamento do barco com propulsão, com os próprios alunos registrando a experiência em vídeo para compor o acervo dos projetos. Por fim, será realizada a apresentação e demonstração das iniciativas desenvolvidas, encerrando o ciclo de atividades presenciais.

Além das visitas à comunidade, o projeto prevê a produção de um livro digital reunindo os projetos e registros fotográficos dos estudantes, a exibição das fotos em um site dedicado à iniciativa e a gravação de vídeos em que os próprios alunos apresentam seus trabalhos, ampliando o alcance e a visibilidade do que foi construído coletivamente.

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.