
Braga descobre Marina Silva por trás de ação contra BR-319. Veja vídeo
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) reagiu nesta terça-feira (28) à decisão liminar da Justiça Federal que suspendeu, por 70 dias, os quatro pregões do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para a pavimentação do chamado “trecho do meio” da BR-319, orçados em R$ 678 milhões.
A decisão foi proferida pela juíza Mara Elisa Andrade, da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária de Manaus, no âmbito de ação movida pelo Observatório do Clima. A liminar foi concedida sem ouvir previamente o DNIT, a Advocacia-Geral da União (AGU), o Governo do Amazonas ou representantes das comunidades afetadas.
Braga afirmou respeitar o Poder Judiciário, mas classificou a decisão como equivocada. Segundo ele, a medida contraria a Lei 15.190/2025, que dispensa licenciamento ambiental para obras de melhoramento em rodovias anteriormente pavimentadas.
“O Judiciário foi levado ao erro ao se basear em projeções. A realidade mostra que não houve o desmatamento previsto”, declarou.
O senador destacou ainda que a BR-319 já está inserida em um dos maiores sistemas de proteção ambiental do país, com 24 Unidades de Conservação ao longo da rodovia — sendo 11 federais, 9 estaduais no Amazonas e 4 em Rondônia. Segundo ele, o estado mantém cerca de 98% de sua vegetação original mesmo com rodovias em operação.
Durante a manifestação, Braga também criticou o que chamou de “engenharia de financiamento” por trás da judicialização. Segundo o parlamentar, organizações como o Observatório do Clima recebem recursos internacionais e utilizam decisões judiciais envolvendo a Amazônia como forma de captação.
“Não questiono a legitimidade dos fundos ambientais internacionais. O que questiono é a transformação disso em uma indústria que se alimenta do isolamento do povo amazônico”, afirmou.
No mesmo contexto, Braga apontou ligação entre a ação judicial e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, ao mencionar que uma das advogadas envolvidas seria filha da ex-ministra.
O senador também rebateu críticas sobre impactos ambientais da obra e destacou a adoção de técnicas como Tratamento Superficial Duplo (TSD) e Triplo (TST), consideradas mais adequadas às condições da região, com ganhos logísticos, econômicos e ambientais.
Ele defendeu ainda que a governança ambiental evoluiu nas últimas décadas, com uso de tecnologias como drones, satélites e inteligência artificial para monitoramento em tempo real, formando uma “muralha digital” contra atividades ilegais.
Em tom crítico, Braga classificou como preconceituosa a postura de setores que, segundo ele, tentam impor decisões sobre a Amazônia sem considerar a população local.
“A gente preservou essa floresta por decisão nossa. Não precisamos de tutor. Isso é tratar o povo do Amazonas como incapaz”, afirmou.
O senador anunciou que a AGU recorrerá da decisão, que o DNIT apresentará manifestação nos autos e que a bancada federal do Amazonas será mobilizada para reverter a suspensão. “Pode até adiar, mas não vamos deixar parar”, concluiu.
PS: O escritório Lopes, Ormay Jr & Silva Advogados enviou ao portal Nota de Esclarecimento no qual afirma não ter qualquer participação na ação contra a BR-319. Nem sua sócia, Moara Silva Vaz de Lima, filha da deputada federal Marina Silva (Rede-SP). A Nota do escritório jurídico diz que a ONG Observatório do Clima “…está apenas cumprindo seu papel e sustentando suas posições em defesa da causa socioambiental”.
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