03/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Dino propõe penas mais severas e perda automática de cargo para juízes corruptos

Publicado em 26 de abril, 2026

Dino propõe penas mais severas e perda automática de cargo para juízes corruptos

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, defendeu neste domingo (26) a necessidade de reformar o Código Penal para endurecer a punição contra crimes cometidos por integrantes do Judiciário.

Entre esses integrantes, Dino cita juízes, procuradores, advogados (públicos e privados), defensores, promotores, assessores, servidores do sistema de Justiça em geral.

A proposta surge logo após o ministro sugerir, em outro texto recente, a revisão de competências do STF e de tribunais superiores. 

As três principais propostas de Dino são:

punições mais altas;

afastamento imediato;

tipificação ampla da obstrução de Justiça (entenda mais abaixo).

Punições mais altas

Dino sugere a ampliação das penas para crimes como peculato, concussão, corrupção passiva, prevaricação e tráfico de influência quando cometidos por profissionais do direito no exercício de suas funções.

Dino defende ainda um “espelhamento” de delitos já existentes, mas com sanções maiores devido à gravidade de trair a confiança do sistema.

Afastamento imediato

O ministro sai em defesa de regras que imponham o afastamento imediato das funções assim que a denúncia for recebida pela Justiça.

A condenação definitiva (transitado em julgado) deve gerar a perda automática do cargo, sem necessidade de outras etapas.

No caso de advogados, o recebimento da denúncia geraria suspensão na OAB e a condenação, o cancelamento definitivo do registro.

Tipificação ampla 

O magistrado propõe também a criminalização de ações que visem impedir, embaraçar ou retaliar o andamento de processos ou investigações.

A novidade é que essa punição deve ocorrer independentemente de o crime estar ou não relacionado a organizações criminosas, justificando-se pela gravidade de qualquer obstrução ao bom funcionamento da Justiça.

‘Justicídio’

O ministro utiliza o termo “justicídio” para classificar violações recorrentes à lisura do sistema por aqueles que deveriam aplicar a lei.

“É evidentemente reprovável que um conhecedor e guardião da legalidade traia a sua toga ou beca”, afirma Dino no documento.

Ainda segundo Dino, a criação de tipos penais para a repressão mais veloz e eficaz da corrupção no sistema de Justiça se justifica para que o prestígio e lisura sejam protegidos.

Ele reforça que a adoção da medida seria uma forma de responder de forma “efetiva e proporcional à gravidade das transgressões, inclusive com afastamentos e perdas dos cargos”.

Insuficiência dos órgãos de controle

Dino reconhece a importância de órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dos códigos de ética das carreiras jurídicas, mas pontua que esses instrumentos se tornaram insuficientes diante de redes sofisticadas de lavagem de dinheiro e do “ultra-individualismo” que atingiu o setor público

Para o ministro, a “confiabilidade” é o atributo fundamental para a legitimação democrática do Direito, o que justifica um tratamento legal específico e mais rigoroso para quem atenta contra a administração da Justiça.

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.