
Deputado do MDB é investigado por ligação com apreensão de R$ 1,2 milhão; partido o trata como aposta para 2026. (Foto: Reprodução)
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de inquérito para investigar o deputado federal Adail Filho (MDB-AM) por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
A decisão tem como base investigação da Polícia Federal que apura a apreensão de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo, em maio do ano passado, no aeroporto de Brasília. O valor estava com três empresários do Amazonas — César de Jesus, Vagner Moitinho e Erick Saraiva — que foram presos em flagrante na ocasião e hoje respondem em liberdade.
Segundo as apurações, há indícios de que os recursos tenham origem em contratos públicos firmados com a Prefeitura de Coari, administrada por Adail Pinheiro (Republicanos), pai do parlamentar. As empresas dos investigados mantinham vínculos com o município, o que levanta suspeitas de fraudes em processos licitatórios e possível desvio de recursos públicos.
A investigação da Polícia Federal, iniciada em agosto de 2025, aponta ainda para um possível esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o deputado, o prefeito e os empresários.
Em manifestação à imprensa, Adail Filho negou qualquer relação comercial com os investigados. O parlamentar afirmou que prestou apenas apoio político e que chegou a ceder estrutura de gabinete e motorista a Vagner Moitinho, a pedido do filho dele, Lucas Moitinho, vereador em Presidente Figueiredo. Segundo o deputado, esse tipo de apoio é comum entre aliados políticos.
O caso surge no momento em que Adail Filho reposiciona sua trajetória política. O parlamentar acaba de se filiar ao Movimento Democrático Brasileiro, onde é tratado como um dos principais nomes da legenda para a disputa de deputado federal em 2026.
Dentro da estratégia do partido no Amazonas, ele aparece como um dos “trunfos” ao lado do deputado federal Saullo Vianna, do ex-senador e ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto e do secretário municipal de Habitação de Manaus, Jesus Alves.
A abertura do inquérito pelo STF insere um elemento de incerteza nesse tabuleiro, ao mesmo tempo em que projeta o caso para o centro do debate político no Estado.
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