14/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Senado aprova criação da Universidade Federal Indígena

Publicado em 16 de abril, 2026

Senado aprova criação da Universidade Federal Indígena

Projeto relatado por Eduardo Braga prevê universidade multicampi com foco em educação intercultural (Foto: Divulgação)

A Comissão de Educação e Cultura do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (15/04), o projeto de lei 6.132/2025, que cria a Universidade Federal Indígena (Unind). A proposta, que já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados, recebeu parecer favorável do relator, o senador Eduardo Braga (MDB-AM), e segue agora para votação no plenário.

De acordo com o relatório, a universidade terá sede em Brasília, mas funcionará em modelo multicêntrico, com campi distribuídos por diversas regiões do país, voltados às especificidades dos povos indígenas.

Ao defender a proposta, Eduardo Braga destacou a necessidade de integrar saberes tradicionais à formação acadêmica.

“Eu defendo fervorosamente que tenhamos uma universidade indígena multicampi para levar conhecimento, progresso e prosperidade aos povos indígenas. Lutamos tanto tempo para demarcarmos as terras indígenas. E o que mudou na vida dos povos indígenas? Pouco ou quase nada”, afirmou.

No parecer, o senador ressaltou que a proposta rompe com modelos anteriores de educação.

“O projeto rompe com a antiga concepção de integração unilateral e reconhece o direito a uma educação superior intercultural e diferenciada”, registrou.

Braga também relembrou experiências adotadas no Amazonas durante sua gestão como governador, quando foram implantadas cotas para a população indígena em universidade estadual.

“Já tivemos experiências na formação de médicos indígenas, advogados, professores, pedagogos e engenheiros. E estes voltam, via de regra, para suas regiões, para multiplicar conhecimento e contribuir com o desenvolvimento econômico, social e ambiental”, disse.

Um dos pontos aprovados no relatório estabelece que os cargos de reitor e vice-reitor deverão ser ocupados por docentes indígenas. A proposta também prevê autonomia para a instituição definir processos seletivos próprios, com reserva mínima de vagas para estudantes indígenas.

A previsão é que as atividades acadêmicas tenham início em 2027, com a oferta inicial de dez cursos de graduação em áreas como gestão territorial e ambiental, saúde coletiva indígena e formação de professores.

A meta é atender cerca de 2,8 mil alunos nos primeiros quatro anos de funcionamento.

Demanda crescente

O relatório apresentado pelo senador Eduardo Braga se baseia em dados do Censo de 2022, que apontaram crescimento de 88,8% na população indígena brasileira na última década.

Segundo o relator, a criação da universidade busca enfrentar desafios como o abandono no ensino superior, causado por barreiras geográficas, econômicas e culturais enfrentadas por estudantes indígenas.

Com a aprovação na comissão, o projeto segue para análise do plenário do Senado.

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