
Milei volta a chamar Lula de ‘ladrão’ e ‘corrupto’ em nova ofensiva verbal
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a elevar o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao repetir ataques pessoais durante entrevista exibida nesse domingo (2). O mandatário reafirmou as declarações feitas na semana passada, durante uma convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo, e voltou a questionar a situação jurídica do presidente brasileiro.
Milei afirmou, em entrevista concedida ao canal argentino LN+, que Lula “é um ladrão, um corrupto” e acrescentou que o petista “não é inocente”, sustentando que as condenações do presidente brasileiro na Operação Lava Jato foram anuladas por questões processuais.
“Eu não menti. Quando respondo com verdades, o senhor Lula se sente atingido? Ele é um ladrão, um presidiário. Ele foi solto por causa de uma falha processual. Ele não é inocente”, declarou.
O presidente argentino também defendeu o teor de suas declarações: “O que é agressivo é quando alguém rouba. É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”.
Além disso, Milei acusou Lula de interferir politicamente na região por meio do que chamou de “defesa de ideias socialistas”.
“Eles ficam bravo porque eu disse algo verdadeiro para o Lula. Mas eles omitem os insultos do Lula e dos ministros dele, do Petro, do Evo Morales, do Correa, do Pedro Sánchez e da turma dele. Quando me insultam, tudo bem”, afirmou. E completou: “Eu fui ao Brasil e não ataquei os brasileiros; falei em favor dos brasileiros. Falei sobre Lula, o corrupto, o condenado, e sobre o juiz Alexandre de Moraes, que negou a visita de Bolsonaro.”
O presidente ainda reforçou a acusação de que o governo brasileiro teria promovido uma campanha contra a Argentina durante a Copa do Mundo. “O Brasil fez isso, com dinheiro, recursos, influenciadores e atores para impulsionar a campanha nas redes sociais, juntamente com o México, o Partido Democrata dos EUA e a Espanha”, afirmou.
As novas declarações ocorrem em meio ao agravamento da crise diplomática entre Brasil e Argentina. A tensão começou após Milei participar da convenção do PL ao lado do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ocasião em que também chamou Lula de “ladrão”, “corrupto”, “presidiário” e “lixo socialista”.
Após o episódio, o governo brasileiro convocou o embaixador da Argentina em Brasília para prestar esclarecimentos e chamou de volta para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como “sem precedentes”. O chanceler Mauro Vieira afirmou que o governo avaliava os desdobramentos da crise diplomática, mas descartou, naquele momento, medidas mais duras, como a retirada da representação diplomática.
Nos dias seguintes, Lula respondeu às declarações do presidente argentino. Durante um evento do Partido Socialista Brasileiro (PSB), o presidente brasileiro classificou como uma “palhaçada” a participação de Milei na convenção do Partido Liberal e afirmou que “ninguém de fora poderá interferir nas eleições” enquanto estiver na Presidência. Antes disso, ao ser questionado sobre as críticas do argentino, Lula havia reagido com ironia ao perguntar: “Quem é esse cara?”.
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