27/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Tarifaço coloca em risco 50% das exportações brasileiras de rochas aos EUA

Publicado em 22 de julho, 2026

Tarifaço coloca em risco 50% das exportações brasileiras de rochas aos EUA

Com o início da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros nesta quarta-feira (22), o setor de rochas naturais indicou ao governo que a área deve ser uma das principais prejudicadas. A redução das exportações aos Estados Unidos pode passar de 50%. Granitos e mármores são as principais rochas enviadas ao país.

Os Estados Unidos são o principal destino das rochas naturais brasileiras, movimentando US$ 364,3 milhões no primeiro semestre. Isso representou 51,2% de todas as vendas do setor. O valor reflete uma retração nas compras devido às novas tarifas americanas sobre produtos manufaturados, após o setor fechar 2025 faturando US$ 795 milhões.

Para o presidente da Centrorochas, Tales Machado, a nova tarifa altera o ambiente competitivo justamente para parte dos produtos tradicionalmente exportados ao mercado americano.

“O setor não está diante apenas de uma possível redução nas vendas atuais. Essa nova barreira comercial recai justamente sobre materiais que historicamente movimentaram grandes volumes de exportação e que ainda têm enorme potencial para ampliar a presença brasileira no mercado americano.”

Ministério

A afirmação foi feita durante mais uma rodada de conversas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) com os setores afetados. A reunião contou com a participação de representantes do Ministério da Fazenda e do vice-presidente Geraldo Alckmin.

De acordo com a Associação Brasileira de Rochas Naturais, a aplicação da tarifa ameaça uma cadeia produtiva composta por mais de 200 empresas exportadoras e cerca de 480 mil empregos diretos e indiretos.

O setor mantém diálogo constante com o governo, visando reduzir os impactos do tarifaço e fortalecer a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

“Recebemos com otimismo as sinalizações do governo e a expectativa sobre o plano ‘Brasil Soberano’, cujas medidas de apoio e desoneração devem ser anunciadas em breve. Acreditamos que tais ações, se implementadas, serão fundamentais para proteger o setor, evitar a queda na demanda observada no ano passado e preservar a saúde financeira das empresas que compõem essa cadeia produtiva vital para a economia brasileira”, afirmou o presidente da Centrorochas, Tales Machado.

Governo Federal

Na reunião de hoje, o setor solicitou ao governo federal a retomada do “Programa Reintegra” — que funciona como um cashback tributário, devolvendo parte dos impostos pagos ao longo da cadeia produtiva de produtos exportados — e a possibilidade de postergação por 120 dias do pagamento de tributos federais.

Após a reunião, a jornalistas, Machado disse que o encontro foi técnico e focado em medidas de apoio aos setores exportadores. “O governo se mostrou solícito e a gente sai daqui otimista”, afirmou.

Não deve haver reciprocidade

Tales Machado afirmou que o governo também indicou que a prioridade, neste momento, é a negociação diplomática.

“A gente tem que sempre acreditar numa diplomacia empresarial. E a mensagem que o ministro passou pra gente é que o país está preocupado com essas empresas, esses setores, os exportadores”, declarou.

Sobre uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade, Machado afirmou que o governo indicou que não pretende adotar essa estratégia neste momento. “Para a gente, ele [ministro Márcio Elias passou que não vai trabalhar esse tema agora”, disse. Segundo o presidente da Centrorochas, a prioridade do governo é manter o diálogo com os Estados Unidos e buscar ‘soluções negociadas’ para preservar as exportações brasileiras.

Machado explicou que o quartzito, responsável por cerca de 60% das exportações do setor para os Estados Unidos, ficou fora da taxação. Já o mármore e o granito seguem tributados e preocupam as empresas, já que representam uma importante pauta de exportação.

“O mármore e granito, que são os outros 30%, é uma pauta muito grande dos Estados Unidos”, explicou, informando que o setor já contratou um ‘advoca-se’ (ou lobby) para atuar junto ao governo americano. O objetivo é mostrar que o mercado interno precisa das rochas brasileiras e, assim, reverter o tarifaço.

Machado disse ainda que há um polo de mineração de granito no Norte e outro no Sul do país que foram duramente afetados na última taxação dos estados Unidos, e a situação ficará ainda mais difícil.

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