
Após faixa sobre Malvinas, Inglaterra pressiona Fifa para punir seleção argentina
Integrantes do governo britânico passaram a cobrar uma investigação formal da Fifa após jogadores da Argentina exibirem uma faixa com a frase “As Malvinas são argentinas”. A manifestação ocorreu nesta quarta-feira (15), durante a comemoração da vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo de 2026.
Até o momento, a entidade máxima do futebol não se pronunciou sobre o episódio. A Argentina enfrentará a Espanha na final do Mundial, no próximo domingo (19).
O primeiro a defender uma apuração foi o ministro de Negócios do Reino Unido, Peter Kyle. Em entrevista à BBC, ele afirmou que a manifestação representou uma violação das regras da Copa do Mundo, que proíbem demonstrações de caráter político dentro dos estádios.
“A Copa do Mundo tem como um de seus princípios fundamentais manter a política separada do futebol. Agora, cabe à Fifa investigar o caso de forma adequada”, afirmou o ministro.
A posição foi endossada pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. O governo considera que a decisão sobre eventuais sanções cabe exclusivamente à Fifa, mas, ao jornal The Guardian, um porta-voz reforçou que “a política deve ficar fora do futebol”.
O governo britânico também reafirmou sua posição sobre a soberania das ilhas, dizendo que as Falklands – nome usado no Reino Unido para o arquipélago – pertencem ao país e que o direito de autodeterminação cabe aos moradores do território.
A repercussão também chegou ao Parlamento britânico. O líder do partido Liberal-Democrata, Ed Davey, defendeu que os jogadores envolvidos sejam suspensos da final da Copa do Mundo, citando como precedente a punição aplicada pela Uefa aos espanhóis Rodri e Álvaro Morata, que cantaram “Gibraltar é espanhol” durante as comemorações da Eurocopa de 2024.
Embora ainda não tenha aberto um procedimento disciplinar, a Fifa poderá analisar o caso após receber os relatórios oficiais da partida, como determina o protocolo da entidade.
As regras do futebol internacional proíbem a exibição de mensagens, símbolos ou faixas de natureza política. Tanto as Regras do Jogo, elaboradas pela International Football Association Board (IFAB), quanto o Código de Conduta nos Estádios da Fifa estabelecem que jogadores e seleções podem ser punidos caso promovam manifestações desse tipo durante uma competição oficial.
Na prática, a entidade deverá avaliar se a faixa exibida pelos jogadores argentinos caracteriza uma manifestação política. Caso conclua que houve violação das normas, poderá abrir um processo disciplinar.
As sanções variam conforme a gravidade do caso e podem incluir advertências, multas e outras medidas disciplinares. Não há um prazo definido para que a Fifa anuncie uma decisão.
Logo após a classificação para a final da Copa do Mundo, jogadores argentinos apareceram no gramado, em Atlanta, segurando uma faixa com a frase “Las Malvinas son argentinas” (“As Malvinas são argentinas”, em português). Entre os atletas, estavam Lisandro Martínez, Giovani Lo Celso e Nicolás Otamendi.
A mensagem faz referência à histórica disputa de soberania entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas – chamadas de Falkland Islands pelos britânicos. O arquipélago é administrado pelo Reino Unido desde 1833, mas continua sendo reivindicado pelo governo argentino.
O tema é especialmente sensível devido à Guerra das Malvinas, travada em 1982, que terminou com a vitória britânica e deixou mais de 900 mortos, entre militares argentinos e britânicos.
Antes da semifinal, a Fifa havia proibido a entrada de bandeiras, faixas e outros materiais relacionados ao conflito justamente para evitar manifestações políticas durante a partida.
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