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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, no fim da tarde desta sexta-feira (10), cerca de 110 quilos de mercúrio durante uma fiscalização realizada no Porto da Ceasa, em Manaus. O material estava prestes a embarcar na balsa que faz a travessia para o Porto do Careiro da Várzea, principal acesso à BR-319, e tinha como destino o município de Boca do Acre, no sul do Amazonas.
A apreensão ocorreu durante uma operação de rotina da corporação. O mercúrio foi recolhido e a ocorrência encaminhada para os procedimentos de investigação, que deverão identificar a origem da carga, o destinatário e a finalidade do transporte.
Embora possua aplicações industriais e científicas controladas, o mercúrio é amplamente empregado no garimpo ilegal de ouro. O metal é misturado ao minério para formar uma amálgama que facilita a separação do ouro. Posteriormente, é aquecido para evaporar o mercúrio, liberando vapores altamente tóxicos na atmosfera e deixando resíduos que alcançam rios e igarapés.
A contaminação por mercúrio é considerada um dos mais graves problemas ambientais da Amazônia. Pesquisas desenvolvidas nas últimas décadas mostram concentrações elevadas do metal em diversos rios da região, especialmente em áreas influenciadas pela atividade garimpeira, como as bacias dos rios Madeira, Tapajós, Negro e seus afluentes. Estudos também identificam níveis preocupantes de mercúrio em peixes consumidos diariamente pelas populações ribeirinhas e indígenas.
No ambiente aquático, microrganismos transformam o mercúrio metálico em metilmercúrio, uma forma ainda mais tóxica que se acumula nos organismos vivos. A concentração aumenta ao longo da cadeia alimentar, tornando os peixes carnívoros de maior porte os mais contaminados.
A ingestão contínua de peixes contaminados pode provocar danos ao sistema nervoso central, perda de memória, alterações motoras, redução da coordenação, problemas visuais e auditivos, comprometimento dos rins e do sistema cardiovascular. Gestantes e crianças estão entre os grupos mais vulneráveis, pois o metilmercúrio atravessa a placenta e pode comprometer o desenvolvimento neurológico do feto.
Especialistas alertam que os efeitos da contaminação podem levar anos para aparecer, dificultando o diagnóstico e ampliando os impactos sobre comunidades que dependem do pescado como principal fonte de proteína.
A apreensão realizada pela PRF interrompeu o transporte de uma quantidade significativa de mercúrio que poderia abastecer atividades ilegais de mineração na região sul do Amazonas, onde a fiscalização enfrenta desafios logísticos devido à extensão territorial e ao acesso por rodovias e hidrovias.
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