
Exportadores defendem retirada do produto da lista de tarifas e destacam impacto econômico das importações no mercado americano. (Foto: Reprodução)
O mel orgânico brasileiro poderá ser retirado da lista de produtos sujeitos a uma possível sobretaxa nos Estados Unidos. A defesa foi apresentada pela Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) durante audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Segundo a entidade, o Brasil tem papel estratégico no abastecimento do mercado norte-americano e reúne características que dificultam a substituição do produto por outros fornecedores.
Durante a audiência, representantes de grandes importadores de mel orgânico dos Estados Unidos e de uma das principais empresas de envase do país destacaram os impactos econômicos que uma eventual tarifa poderia causar. O setor argumenta que cada dólar gasto na importação do mel orgânico brasileiro movimenta cerca de US$ 5,50 na economia americana.
O produto é utilizado como ingrediente em alimentos como barras de cereais, granolas e iogurtes. Atualmente, o Brasil responde por aproximadamente 75% do mel orgânico consumido pelos Estados Unidos, mercado que movimenta cerca de 90 milhões de libras do produto por ano, o equivalente a aproximadamente 40 mil toneladas.
A Abemel afirma que a liderança brasileira está relacionada a fatores naturais e produtivos, como a disponibilidade de áreas preservadas e as características da produção nacional. Um dos diferenciais apontados é o uso da abelha africanizada, considerada mais resistente a doenças e que, segundo a entidade, permite o manejo sem a necessidade de antibióticos — uma exigência para a certificação orgânica.
Outro ponto apresentado ao USTR foi a existência de áreas de produção em biomas como Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. Esses ambientes permitem atender às exigências internacionais de certificação, que estabelecem distância mínima entre apiários e possíveis fontes de contaminação.
Para a associação, esses fatores tornam o mel brasileiro um fornecedor difícil de substituir no mercado americano. A entidade informou que apresentou dados técnicos e manifestações de empresas dos Estados Unidos favoráveis à continuidade das importações.
A decisão sobre quais produtos serão mantidos ou retirados da lista de possíveis sobretaxas deve ser anunciada pelo USTR em 15 de julho. Até lá, o setor aguarda a análise do comitê responsável pela investigação prevista na Seção 301.
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