05/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Em Salvador, ‘Mangará’ se apresenta em congresso dos 80 anos da UFBA

Publicado em 05 de julho, 2026

Em Salvador, ‘Mangará’ se apresenta em congresso dos 80 anos da UFBA

Criada em Manaus, a intervenção urbana MANGARÁ integra a programação do Congresso UFBA 80 Anos e será apresentada nesta sexta-feira, 10/7, às 17h, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador.

O Congresso UFBA 80 Anos será realizado entre os dias 6 e 10 de julho e reúne pesquisas, ações de ensino, extensão, ciência, cultura e arte produzidas pela universidade, promovendo o diálogo com temas contemporâneos que atravessam o Brasil e o mundo.

A participação marca a circulação nacional de uma pesquisa artística desenvolvida por artistas independentes de Manaus e amplia a presença da produção amazônica em um dos principais encontros acadêmicos do país.

A apresentação também fortalece o diálogo entre arte, universidade e questões ambientais a partir de perspectivas construídas por artistas do Amazonas.

Crise ambiental

Durante o evento, MANGARÁ leva ao espaço público uma reflexão sobre a crise ambiental, o desmatamento e as transformações vividas pela Amazônia por meio da performance.

Para a idealizadora e diretora do projeto, Tainá Andes, a participação representa mais do que uma circulação artística.

“Enquanto mulher indígena que atua de forma independente, é muito importante essa ocupação na universidade, sobretudo fora do Estado do Amazonas, para mostrar que podemos estar onde quisermos e que o fazer político por meio da arte me leva a desmistificar o olhar exótico que ainda existe sobre os nossos corpos amazônidas”, afirma.

Pesquisa artística

Atualmente mestranda em Dança na UFBA, Tainá conta que MANGARÁ nasceu em 2024 durante o Laboratório de Criação “Escritas, provocações e práticas corporais”, vinculado ao mestrado da artista, produtora e provocadora cênica do projeto, Viviane Palandi, na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

A primeira intervenção foi apresentada na Galeria de Artes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com sonoplastia do artista chiCOKAboco.

Desde então, a pesquisa seguiu em desenvolvimento e, em 2025, passou a contar com a participação de Jaú Tupinambá, artista não-binária do curso de Dança da UEA, e Vívian di Oliveira, atriz, cantora e percussionista, artistas ativistas que desenvolvem trabalhos voltados às questões ambientais e à preservação da Amazônia, além de trajetórias atravessadas por políticas afirmativas e saberes ancestrais.

Segundo Tainá, MANGARÁ traduz uma Amazônia em transformação: raízes que fervem sob a terra, árvores que caminham, águas que se deslocam, fogo que arde e cobras que agonizam.

Ocupação de espaços

Tainá explica que a apresentação também simboliza uma conquista.

“O projeto começa com os meus mais velhos que sonharam em romper fronteiras e chegar em diversos espaços. Agora, com o MANGARÁ e a equipe que o compõe, percebo esse sonho vivo: um coração de bananeira pulsante, que denuncia, atua, canta, dança e ritualiza uma travessia em meio ao caos climático em direção à sustentação do céu por meio da performance”, afirma.

Produção amazônida

A participação de MANGARÁ no evento amplia a visibilidade da produção de artistas independentes da capital amazonense em um dos principais encontros acadêmicos do país.

A obra integra a programação por meio da curadoria da Escola de Dança da UFBA, criada em 1956 e reconhecida por sediar o primeiro curso superior de Dança do Brasil.

“É uma grande oportunidade de mostrar o trabalho de artistas potentes que existem na cidade de Manaus, que lutam diariamente pelo reconhecimento artístico. Nós falamos por nós, nós criamos sobre nós e nada mais deve ser feito sobre nós na nossa ausência”, conclui Tainá Andes.

Serviço
MANGARÁ – Intervenção urbana na UFBA, Salvador (BA)
Data: 10 de julho de 2026
Horário: 17h
Local: Vão da Biblioteca da UFBA – Praça das Artes

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