
Foto: Elinaldo Tavares
PETA CID
Especial para o Portal do Marcos Santos
O Boi Caprichoso reuniu a imprensa no tradicional Curral Zeca Xibelão, na tarde desta quarta-feira, 24, para revelar os conceitos fundamentais e as diretrizes artísticas que darão vida ao espetáculo na arena “O Brinquedo Que Canta Seu Chão”.
O projeto é um manifesto de amor, resistência e pertencimento a Parintins, à Amazônia e ao Norte Brasil.
O presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome, explicou que o tema central resgata a própria essência do termo “brinquedo”. Não apenas o objeto de pano, de veludo, isopor, mas sim o folguedo popular, a brincadeira viva que nasceu do improviso nas ruas de Parintins, foi cuidada por muitas mãos e salvou a vida de tanta gente pela arte. O Caprichoso canta o retorno à pureza, à alegria genuína.
“O boi salva, ele é afago, amparo, remédio, cura, reavivamento, sublimação, ponte, caminho, esperança e tantos outros adjetivos que reverenciam a diversidade num ser que pertence ao povo e canta seu chão sagrado ao mundo todo”, explicou.
Ao mesmo tempo, “cantar o chão” para o Caprichoso é o ecoar da ancestralidade indígena, das lutas e realidades das comunidades ribeirinhas e quilombolas. O boi se posiciona na arena como o megafone oficial da floresta, transformando o reduto azulado em um palco de denúncia, beleza e imersão cultural.

Foto: Elinaldo Tavares
O presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, declarou que o bumbá vai brincar de boi com muito sentimento e está preparado para resgatar o título do Festival de Parintins.
“É um tema muito bem pensado, elaborado por nosso Conselho de Arte e materializado por nossos artistas. Vamos falar das nossas emoções de viver esse boi brinquedo. Nosso espetáculo promete arrancar lágrimas, arrepiar a pele e mostrar que a nossa estrela não brilha por vaidade, mas porque carrega a alma de ser Caprichoso”, declarou Rossy.
Ele agradeceu aos patrocinadores que contribuem para que a festa aconteça, ao lado do diretor da Maná Produções, presente no evento.

Foto: Elinaldo Tavares
O subtema da primeira noite do Caprichoso é “O Brinquedo do Povo Canta: Parintins – O Chão de Origem”. O bumbá canta o chão, mas não aquele entendido como espaço geográfico, mas um chão tecido por memórias, promessas e afetos, território de ancestralidade e luta. O chão sagrado onde a fé dos que rezam encontra com a sabedoria dos que encantam. É uma exaltação a Parintins e seu jeito próprio de existir. A terra que guarda memórias nas ruas e que transforma o dia a dia em celebração. A Parintins onde a cultura não é apenas vivida, ela é cantada, dançada e compartilhada.
Na segunda noite, “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia – O Chão da Vida”. É uma noite onde o Boi Caprichoso canta seu chão ancestral. Canta a Amazônia como território vivo, habitado por humanos e não humanos, por ancestrais, encantados e espíritos guardiões. A brincadeira ganha dimensão política e cultural ao reivindicar justiça para aqueles que tombaram na defesa da floresta, dos rios e dos territórios tradicionais. A toada transforma-se em memória coletiva; o espetáculo converte-se em ato de resistência.

Foto: Elinaldo Tavares
O subtema da última noite de apresentação é “O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil – Chão de Bravos”. Nesta proposta, o Caprichoso reafirma que o Norte é um chão de bravos porque nunca se curvou ao esquecimento. E é dessa terra de resistência que se nutre o bumbá como expressão viva de uma Amazônia afroindígena, cabocla, festiva que celebra seus ancestrais, honra suas lutas e afirma, por meio de sua alegria, a permanência de seus povos. É o Norte de um Brasil, que o bumbá quer reinventar.
Cerca de 150 profissionais de Parintins, Manaus, Rio de Janeiro, São Paulo e vários estados do Brasil participaram da coletiva, onde puderam conversar com os itens oficiais e representantes dos povos indígenas Asurini e Xicrin, presentes no evento.
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