13/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Quando a paixão vira acervo: as relíquias do Festival de Parintins

Publicado em 23 de junho, 2026

Quando a paixão vira acervo: as relíquias do Festival de Parintins

Em Parintins, a paixão pelo Festival é uma viva que vai além das três noites de espetáculo. Em casas espalhadas pela cidade, verdadeiros guardiões da memória preservam parte importante da história dos bois Caprichoso e Garantido por meio de coleções que atravessam gerações e de valor sentimental.

Há quem guarde fotografias, camisas, telas de antigos festivais e objetos que fazem parte da festa e marcaram momentos inesquecíveis.

História

A história de Fausto Assis com Parintins e o Boi Caprichoso começou há décadas, quando ele tinha 20 anos, funcionário da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O que inicialmente era uma admiração transformou-se em uma verdadeira paixão em um acervo que hoje reúne parte importante da memória azulada.

O acervo está entre sua residência em Rezende no Rio de Janeiro e no Bairro Paschoal Allagio em Parintins. “Me aposentei e comprei uma casa em Parintins. Aqui tenho peças importantes, quadros do artista Evanil Maciel, telas de vencedores do festival, credenciais, bonés e mais de 200 camisas”, conta.

De forma inusitada ele levou para o Rio de Janeiro peças entalhadas em madeira e mesas com a imagem do Caprichoso. “A paixão por Parintins e pelo Caprichoso é tão grande que levei uma peça de madeira de dois metros entalhada com imagens de pirarucu, cobras, onças, rostos indígenas e o Caprichoso. Comprei uma mesa em forma de mosaico, desmontei e levei para o Rio”, revela.

Estádio

Antonio Faria, preserva uma relíquia em sua residência, uma fotografia histórica de 1978, na época em que ele brincou de tuxaua luxo no Boi Garantido, no Parque das Castanholeiras, local que antecedeu a realização do festival no Estádio Tupycantanhede.

A fantasia foi confeccionada pelo mestre Jair Mendes, reconhecido pelo talento e criatividade em transformar materiais simples em verdadeiras obras de arte.

“Jair era um ser incrível. Eu comprava o material e ele fez por vários anos. Ele criou aquele capacete com cartolina. Cada pedaço tinha uma cor diferente e havia uma corda que, quando eu me movimentava, fazia as cores se unirem. Era uma coisa linda”, relembra Antônio.

Mais do que colecionadores eles são guardiões de lembranças. Essas pessoas que, por meio de pequenos tesouros guardados em álbuns, caixas, estantes ou paredes, garantem que a história do boi-bumbá de Parintins continue sendo contada para as futuras gerações.

Texto: Josene Araújo
Especial para Portal Marcos Santos

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