
Foto: Divulgação/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa
A Semana do Cinema Brasileiro iniciou sua programação em Manaus, na noite de segunda-feira (15/6), com uma homenagem aos cineastas Silvino Santos e Roberto Kahane, no Largo de São Sebastião. A mostra segue até o dia 20 de junho com sessões gratuitas em espaços culturais da capital, reunindo curtas-metragens, documentários e filmes de ficção produzidos por cineastas amazonenses e da região Norte.
Realizada em celebração ao Dia do Cinema Brasileiro, comemorado em 19 de junho, a programação busca promover a difusão cultural cinematográfica e ampliar a visibilidade de produções que retratam a Amazônia, suas identidades, memórias, conflitos sociais e manifestações culturais.
A abertura da mostra contou com a exibição de “Silvino Santos, o Fim de um Pioneiro” (1970), dirigido por Roberto Kahane e co-dirigido por Domingos Demasi Filho. O curta revisita a trajetória do cineasta português naturalizado brasileiro Silvino Santos, considerado um dos pioneiros do cinema documental na Amazônia e responsável por registrar imagens históricas da região durante o ciclo da borracha.
A sessão também apresentou obras restauradas por Roberto Kahane a partir do acervo cinematográfico de Silvino Santos, como “Fragmentos da Terra Encantada”, “1922, a Exposição da Independência”, “Vale Quem Tem” e “A Propósito de Futebol”, além de uma entrevista conduzida pela jornalista Norma Araújo sobre a importância do legado do cineasta para a história do audiovisual brasileiro.
Também integraram a programação de abertura os filmes “Garrote” e “Santo Antônio da Terra Preta”, do cineasta amazonense Bruno Pantoja. Ambientado durante a crise do oxigênio em Manaus, “Garrote” acompanha um casal que enfrenta conflitos políticos e afetivos em meio ao colapso vivido pela cidade. E “Santo Antônio da Terra Preta” retrata a devoção, as tradições e a identidade cultural da comunidade da Terra Preta, em Manacapuru, destacando os esforços para preservar a memória coletiva do interior do Amazonas.
A programação continua nesta terça-feira (16/6), às 18h30, no Cineteatro Guarany (Villa Ninita, anexo ao Palácio Rio Negro – avenida Sete de Setembro, 1.546, Centro de Manaus), com a exibição do documentário “A Amazônia Como Palco”, dirigido por Gustavo Soranz e produzido pela Rizoma Audiovisual. O filme revisita a trajetória do Teatro Experimental do Sesc (Tesc), grupo que se tornou referência de resistência cultural durante o período da ditadura militar e buscou aprofundar reflexões sobre a identidade amazônica por meio das artes cênicas.
Na mesma noite, o público poderá assistir ao filme “O Desentupidor”, de Jimmy Christian. A obra apresenta uma narrativa ambientada em uma Manaus em transformação, acompanhando a trajetória de personagens marcados por desafios sociais, familiares e econômicos.
Na quarta-feira (17/6), o Cineteatro Guarany recebe a estreia do longa-metragem “Lados Opostos do Mesmo Rio”, dirigido por James Bentes. Ambientado entre Manaus e Iranduba, o filme entrelaça trajetórias marcadas por maternidade, desigualdade social, abandono e pertencimento, utilizando a travessia pelo Rio Negro como metáfora para distâncias afetivas e sociais.
E na quinta-feira (18/6), no Cineteatro Guarany, será exibido o documentário “Bayaroá”, de Cleinaldo Marinho. A produção acompanha a trajetória do cacique tukano Justino Pena e seu trabalho voltado à preservação da língua, da memória e dos saberes tradicionais indígenas por meio do Centro Cultural Bayaroá, referência na valorização da cultura dos povos originários.
Encerrando a programação, no sábado (20/6), o Cineteatro Guarany recebe o Festival Adventista de Cinema, com a exibição de curtas-metragens produzidos pela Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Ao reunir obras que transitam entre memória, identidade, cultura e questões sociais, a Semana do Cinema Brasileiro reafirma a importância do audiovisual como instrumento de preservação histórica e valorização das múltiplas narrativas amazônicas.