
Foto: Sérgio Cole
O Boi Garantido voltou a transformar as ruas de Parintins em um cenário de fé, emoção e tradição na noite desta sexta-feira (12), durante a realização da tradicional Ladainha de Santo Antônio. A manifestação religiosa, uma das mais antigas da história do Boi do Povão, reuniu brincantes, torcedores, moradores e devotos para celebrar uma herança que acompanha o boi vermelho e branco desde os seus primeiros anos de existência.
O cortejo saiu do Quilombo da Baixa, berço do Garantido, conduzido por orações, cânticos e velas acesas. A celebração reafirma uma das marcas mais profundas da identidade do boi fundado por Lindolfo Monteverde: a união entre a cultura popular amazônica e a devoção aos santos juninos.
Um dos momentos mais aguardados da programação foi a tradicional entrega de rosas. Durante o percurso, integrantes do Garantido visitaram residências e distribuíram flores a mulheres e casais, gesto que simboliza carinho, respeito e valorização dos laços afetivos. A iniciativa, realizada todos os anos no Dia dos Namorados, tornou-se parte do calendário emocional da nação vermelha e branca.

Foto: Sérgio Cole
Para o presidente do Garantido, Fred Góes, a ladainha representa a essência do boi muito antes do espetáculo apresentado na arena do Bumbódromo.
“A Ladainha de Santo Antônio é o Garantido de verdade, de raiz. É a promessa do nosso fundador Lindolfo ganhando as ruas, é o povo rezando junto, é a fé que sustenta nosso boi há mais de 80 anos. Preservar essa tradição é honrar cada brincante que veio antes de nós. No Quilombo da Baixa, a gente não só lembra o passado. A gente reafirma quem somos e de onde viemos para chegar forte na arena”, afirmou.

Foto: Sérgio Cole
A emoção também marcou a participação de integrantes da família Monteverde, responsáveis por manter viva a memória dos primeiros anos do Garantido.
Filha do fundador, Maria do Carmo Monteverde recordou as origens da devoção familiar a Santo Antônio e aos santos juninos, tradição que deu origem a uma das manifestações mais simbólicas do calendário encarnado.

Foto: Sérgio Cole
Segundo ela, a ligação com Santo Antônio remonta à própria história da família. A mãe, Antônia, e a avó Alexandrina tiveram papel fundamental na construção da fé que orientou Lindolfo Monteverde e inspirou as promessas que, mais tarde, se transformariam em manifestações coletivas abraçadas pelo povo de Parintins.
“Respeito ao Santo Antônio vem da nossa família. A minha mãe se chamava Antônia e, quando meu pai começou a festejar São João Batista, atendeu a uma orientação da minha avó: ‘Meu filho, se apega a um dos santos que nós festejamos’. É uma alegria muito grande. Eu me lembro de tudo o que vivi quando era criança. Em 1943, com apenas seis anos, vi o Garantido começar a sair pelas ruas cumprindo essa promessa que virou uma linda tradição”, recordou.
Mais do que uma celebração religiosa, a Ladainha de Santo Antônio representa a preservação da memória e dos valores que ajudaram a construir a história do Garantido. A cada ano, o ritual reforça os laços entre passado e presente e mantém viva a devoção herdada de Lindolfo Monteverde, que continua unindo gerações de apaixonados pelo Boi do Povão.
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