
Fundação Japão visita escolas bilíngues estaduais e observa ensino do japonês em Manaus
A especialista em Língua Japonesa da Fundação Japão, Megumi Katayama, visitou as Escolas Estaduais de Tempo Integral (EETIs) Bilíngues Professor Djalma Batista e Professora Jacimar da Silva Gama, em Manaus, nesta quarta-feira (10/06). A agenda teve como objetivo fortalecer o diálogo com professores que participaram do programa Idiomas sem Fronteiras (IsF), além de acompanhar de perto as práticas pedagógicas desenvolvidas pelas unidades de ensino da rede estadual para o ensino da língua e da cultura japonesa.
Vinculada ao Ministério das Relações Exteriores do Japão, a Fundação Japão atua internacionalmente na promoção do intercâmbio cultural, do ensino da língua japonesa e do fortalecimento das relações intelectuais entre o Japão e outros países. A instituição mantém parceria com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar, oferecendo apoio técnico e pedagógico às escolas bilíngues da rede estadual, além de cursos gratuitos de língua japonesa para professores e estudantes.
A visita também permitiu que a representante da instituição acompanhasse aulas ministradas nas escolas. Durante as atividades, Megumi observou a condução das disciplinas, auxiliou estudantes em exercícios de pronúncia e conversação e participou ativamente das dinâmicas propostas pelos professores.
O acompanhamento teve ainda um caráter avaliativo, considerando que a Fundação Japão colaborou na construção das ações voltadas à língua japonesa dentro do programa Idiomas sem Fronteiras, programa do Ministério da Educação. A intenção foi observar como os conhecimentos desenvolvidos à época continuam sendo aplicados em sala de aula e de que forma contribuem para a formação dos estudantes da rede pública estadual.
Atualmente, as duas escolas bilíngues beneficiam mais de 1,5 mil estudantes. Somente na EETI Djalma Batista e na EETI Jacimar da Silva Gama, cerca de 460 horas anuais são destinadas ao ensino da língua japonesa, distribuídas em componentes curriculares como Língua Japonesa, Ciências e Língua Japonesa e Matemática e Língua Japonesa.
Mais do que o aprendizado de um novo idioma, as escolas estaduais desenvolvem atividades que promovem o contato dos estudantes com diferentes aspectos da cultura japonesa. Entre as iniciativas está a realização do Bon Odori, tradicional festival japonês de verão que integra conteúdos trabalhados em sala de aula com vivências culturais. Durante o evento, os estudantes apresentam danças tradicionais.
Outra ação de destaque é o projeto interdisciplinar Kamishibai, desenvolvido na EETI Djalma Batista. Inspirado no tradicional teatro de papel japonês, o projeto reúne literatura, arte, língua portuguesa e língua japonesa. Em uma das edições, cerca de 200 estudantes produziram mais de 50 histórias autorais, estabelecendo conexões entre narrativas amazônicas e japonesas por meio da escrita, da ilustração e da oralidade.
Para o professor Jean Ferreira, docente de Língua Japonesa na EETI Djalma Batista, há oito anos, e um dos profissionais que atuaram no programa Idiomas sem Fronteiras, a visita representa o fortalecimento de uma parceria histórica.
“A Fundação Japão é uma grande parceira das escolas bilíngues da rede estadual. Receber representantes da instituição dentro da escola é algo muito importante para nós, porque fortalece os laços construídos ao longo dos anos. São parcerias que contribuem diretamente para o desenvolvimento de atividades pedagógicas que aproximam os estudantes de outras culturas e realidades”, destacou o professor.
Entre os profissionais beneficiados pelas oportunidades oferecidas pela Fundação Japão está o professor Adail Alves, que participou de um processo seletivo promovido pela Fundação Hakuhodo em parceria com a própria Fundação Japão.
Aprovado na seleção, o docente teve a oportunidade de viajar ao Japão em 2025 e 2026, conhecendo localidades como Shibuya, em Tóquio, e a cidade de Saitama. Com autorização da Secretaria de Educação, ele participou das atividades de formação e intercâmbio cultural oferecidas pelo programa.
“Foi uma experiência transformadora. Conhecer o Japão, sua cultura, sua organização social e educacional ampliou meus horizontes profissionais e pessoais. Voltei com novos conhecimentos e procuro traduzir tudo isso em sala de aula, para que os estudantes também possam ampliar suas perspectivas de futuro”, afirmou Adail.
Ao final da visita, Megumi Katayama destacou a qualidade do ensino desenvolvido nas escolas bilíngues da rede estadual e elogiou o desempenho dos estudantes.
“O objetivo inicial da visita era conversar com os professores que participaram do Idiomas sem Fronteiras e realizar um acompanhamento das ações desenvolvidas. Mas fui muito bem recebida e tive a oportunidade de conhecer mais profundamente o trabalho realizado pelas escolas. Fiquei muito feliz em ver estudantes falando japonês com confiança e qualidade. As escolas desenvolvem um trabalho excepcional e isso demonstra o comprometimento dos profissionais envolvidos”, ressaltou a especialista.
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