12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Carne brasileira sofre veto da UE e Brasil fica isolado no Mercosul diante da restrição

Publicado em 07 de junho, 2026

Brasil esgota cota de exportação de carne bovina para os Estados Unidos em 2026

Carne brasileira sofre veto da UE e Brasil fica isolado no Mercosul diante da restrição

A decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco transformou o país no único integrante do Mercosul afetado pelas novas restrições sanitárias europeias.

Enquanto o Brasil foi excluído da relação de países habilitados, Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem autorizados a vender produtos de origem animal aos 27 membros da União Europeia, segundo regulamento publicado pela Comissão Europeia na última sexta-feira (5/6).

Mercados

A medida pode atingir um dos mercados mais importantes para o agronegócio brasileiro.

Em 2025, a União Europeia importou cerca de 368,1 mil toneladas de carnes do Brasil, movimentando US$ 1,8 bilhão, de acordo com dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O valor coloca o bloco europeu como o segundo principal destino das exportações brasileiras de carnes em receita, atrás apenas da China.

Exclusão

A exclusão brasileira chamou a atenção de autoridades e representantes do setor porque ocorre em um momento de aproximação comercial entre os dois blocos econômicos. A decisão foi anunciada poucos meses após o início da aplicação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Apesar disso, a Comissão Europeia sustenta que a medida não está relacionada ao tratado comercial, mas exclusivamente ao cumprimento de exigências sanitárias.

Por que só o Brasil ficou fora

Segundo o regulamento europeu, o Brasil não apresentou informações consideradas suficientes para comprovar que conseguirá cumprir integralmente as regras do bloco sobre o uso de determinados antimicrobianos na produção animal até setembro de 2026.

A legislação europeia proíbe a importação de produtos de origem animal oriundos de sistemas produtivos que utilizem determinados antimicrobianos para promover crescimento ou aumentar a produtividade dos animais.

Bruxelas argumenta que o uso inadequado dessas substâncias contribui para a resistência bacteriana, considerada uma das principais ameaças globais à saúde pública.

Por esse motivo, o país foi retirado da lista de nações autorizadas a exportar para a União Europeia produtos das categorias de bovinos, aves, equídeos, aquicultura, mel e tripas.

Caso a restrição entre efetivamente em vigor, o impacto poderá ser significativo para o setor exportador brasileiro.

Os números de 2025 mostram a dimensão desse mercado:

Carne bovina: US$ 1,048 bilhão em exportações;

Carne de frango: US$ 762,9 milhões;

Carne de peru: US$ 15,7 milhões;

Carne suína: US$ 1 milhão;

Carne de cavalo: US$ 1 milhão;

Carne ovina: US$ 144 mil;

Carne de pato: US$ 24 mil.

Somadas, as vendas de carnes ao bloco europeu alcançaram aproximadamente US$ 1,8 bilhão no ano passado.

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