
Mudanças climáticas e ondas extremas de calor elevam risco de queimadas severas em diferentes regiões do planeta. (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
A intensificação das mudanças climáticas já provoca uma temporada histórica de incêndios florestais em diferentes partes do mundo, segundo cientistas da organização World Weather Attribution. Dados divulgados nesta terça-feira (12) apontam que mais de 150 milhões de hectares foram queimados entre janeiro e abril deste ano, número 20% superior ao recorde anterior.
Os pesquisadores alertam que o cenário pode se agravar nos próximos meses com a chegada do verão no hemisfério norte e o fortalecimento do fenômeno climático El Niño, associado ao aumento das temperaturas e à redução das chuvas em diversas regiões do planeta.
De acordo com o especialista em incêndios florestais Theodore Keeping, do Imperial College London, a temporada global ainda está no início, mas os indicadores já demonstram um comportamento extremo.
“Esse início acelerado, combinado com a previsão de um El Niño forte, indica a possibilidade de um ano particularmente severo”, afirmou.
Na África, os incêndios consumiram cerca de 85 milhões de hectares até agora, superando em 23% o recorde anterior. Os cientistas atribuem o avanço das queimadas à alternância entre períodos de chuvas intensas e estiagens severas, o que favorece o crescimento de vegetação que posteriormente serve de combustível para o fogo.
Na Ásia, aproximadamente 44 milhões de hectares já foram atingidos pelas chamas, quase 40% acima do recorde registrado em 2014. Entre os países mais afetados estão Índia, Mianmar, Tailândia, Laos e China.
Os pesquisadores também alertam para o aumento do risco de incêndios severos em países como Austrália, Canadá e Estados Unidos, além da Floresta Amazônica.
Segundo os cientistas, um episódio intenso de El Niño pode potencializar os efeitos do aquecimento global provocado pela atividade humana, elevando a probabilidade de secas extremas e incêndios sem precedentes recentes.
O fenômeno climático ocorre devido ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico e, conforme a Organização Meteorológica Mundial, deve se consolidar a partir deste mês. Além de elevar temperaturas globais, o El Niño pode provocar secas em regiões da Ásia e da Oceania, além de enchentes em outras partes do planeta.
A cientista Friederike Otto, também do Imperial College London e cofundadora da World Weather Attribution, afirmou que a combinação entre aquecimento global e um El Niño forte pode gerar eventos climáticos extremos históricos.
“Existe um risco sério de vermos extremos sem precedentes caso o fenômeno se intensifique”, declarou.
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