
Empresário usa tratores e caminhões para retirar estruturas do Boi Mirim Tupi e provoca indignação na Terra dos Bumbás (Foto: Reprodução)
Uma disputa judicial por terreno em Parintins terminou em episódio considerado revoltante por artistas, brincantes e defensores da cultura popular amazonense. O empresário João Pedro Baranda, proprietário de rede de supermercados e esposo da vereadora Márcia Baranda, utilizou tratores e caminhões para retirar e destruir alegorias do Boi-Bumbá Mirim Tupi, que estavam sendo confeccionadas para o festival folclórico infantil da cidade.
O caso gerou indignação em Parintins justamente por atingir um dos símbolos mais sensíveis da identidade cultural local: os bois mirins, responsáveis por iniciar crianças e adolescentes na tradição do boi-bumbá.
As alegorias estavam em um terreno cedido pela família que reside no imóvel há mais de 20 anos, localizado na rua Fausto Bulcão, bairro Itaúna. Segundo integrantes da associação, o espaço vinha sendo utilizado para a construção das estruturas do espetáculo programado para junho.
“Foram meses de trabalho jogados fora. O material usado nas alegorias pertencia ao Boi-Bumbá Caprichoso e deveria ser devolvido após o festival”, protestou Beatriz Cavalcante, uma das organizadoras do Boi Mirim Tupi.
Ela destacou ainda o impacto da destruição para dezenas de crianças envolvidas no projeto cultural.
“As crianças não podem brincar nos bois Caprichoso ou Garantido (por portaria judicial) e essa é a alternativa para elas participarem da festa”, afirmou.
O Festival dos Bois Mirins ocorre anualmente com apoio da Prefeitura de Parintins e integra o contexto cultural do Festival de Parintins, patrimônio cultural brasileiro reconhecido e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Em uma cidade que transformou o boi-bumbá em patrimônio afetivo, econômico e cultural, a destruição de alegorias destinadas a crianças foi interpretada por integrantes do movimento folclórico como um gesto de arrogância e violência incompatível com a própria essência da festa.
Além do prejuízo material, a ação atinge diretamente o trabalho voluntário de artistas, soldadores, costureiras, pintores e famílias inteiras que dedicam meses à preparação dos bois mirins como forma de preservar a tradição cultural parintinense.
Ao final da noite, a Associação Folclórica Boi-Bumbá Mirim Tupi divulgou uma Nota de Repúdio cobrando reparação e diálogo.
O Ponto de Cultura Associação Folclórica Boi-Bumbá Mirim Tupi vem a público manifestar seu mais profundo repúdio à conduta do empresário João Pedro Baranda, que se utilizou da força para retirar as alegorias e demais estruturas destinadas à realização do espetáculo que será realizado no mês de junho, do terreno cedido, situado na rua Fausto Bulcão (bairro Itaúna).
Ressaltamos que o Boi Mirim Tupi utilizou o terreno para confeccionar suas alegorias, em espaço que foi cedido pela família que reside no imóvel há mais de 20 anos, em um gesto de apoio à cultura e ao trabalho desenvolvido pela agremiação.
Esclarecemos, ainda, que a estrutura alegórica original pertence ao Boi-Bumbá Caprichoso, estava cedida ao Boi Mirim Tupi, e que, após o Festival, os materiais deveriam ser devolvidos ao Boi Caprichoso, conforme o combinado entre as partes.
A retirada forçada dessas alegorias causou danos irreparáveis à Associação Folclórica Boi-Bumbá Mirim Tupi, afetando meses de dedicação, esforço voluntário e trabalho cultural construído com tanto empenho para a comunidade.
Reafirmamos nosso compromisso com a cultura popular, com o diálogo e com o respeito, e lamentamos profundamente que uma iniciativa tão significativa tenha sido tratada dessa forma.
Pedimos apoio das autoridades locais, entes culturais, para ajudar na reparação ou diálogo para possível resolução do impasse. A cultura de Parintins é maior que qualquer ato de injustiça, arrogância e prepotência.
Associação Folclórica Boi-Bumbá Mirim Tupi
Parintins (AM), 9 de maio de 2026.
Veja o vídeo de Beatriz Cavalcante: https://www.facebook.com/share/1HhD8sRumF/
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