19/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Comunidade indígena de Borba recebe mutirão jurídico gratuito da Defensoria

Publicado em 07 de maio, 2026

Comunidade indígena de Borba recebe mutirão jurídico gratuito da Defensoria

Atendimentos nas áreas de Família e Registros Públicos foram destinados às famílias que vivem na comunidade Laranjal. (Fotos: Lucas Silva/DPE-AM)

Localizada dentro das terras indígenas do município de Borba (a 151 quilômetros de distância de Manaus), a comunidade Laranjal possui cerca de 72 famílias da etnia Munduruku. Para atender às demandas jurídicas dos moradores, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), em parceria com a Prefeitura do município, levou o mutirão “Defensoria Tá na Área” para realizar atendimentos nas áreas de Família e Registros Públicos.

A iniciativa faz parte das comemorações do Mês da Defensoria, período em que a atuação da instituição na garantia de direitos da população é celebrada em todo o país, conforme explicou o 1º Subdefensor Público Geral, Helom Nunes.

“O Amazonas possui uma dimensão territorial enorme, mas a nossa missão a cada dia é maior. Temos o papel de tornar a Defensoria ainda mais presente, atuante e transformadora para a população que mais precisa, principalmente no interior do nosso estado”, destacou.

Esta é a primeira vez que um mutirão jurídico está acontecendo nas Terras Indígenas Kwatá-Laranjal, que ficam a 12 horas de distância de barco do município de Borba. Geograficamente, as comunidades se encontram em pontos isolados, dificultando o acesso aos serviços públicos.

Para Milta Lopes Moreira, 67, o mutirão veio no momento ideal, pois ela precisava renovar toda a sua documentação, incluindo a 2ª via da certidão de nascimento. A iniciativa, segundo ela, só trouxe benefícios para a comunidade.

“É muito bom a Defensoria vir até aqui, porque para a gente ir para lá (Borba), gasta muito com o barco, aí depois ainda temos que pagar um lugar para ficar. Com esse atendimento, nós temos que aproveitar a oportunidade”, disse a aposentada.

Quem também aproveitou a presença da Defensoria na região foi Leandra Lopes, 19. Ela veio de outra comunidade, chamada Vila Nova, em busca de um atendimento muito importante para ela: o reconhecimento de paternidade do filho.

“Eu achava que ia demorar, mas foi tudo muito rápido e deu muito certo. Logo quando meu filho nasceu, ele teve um problema e teve que ser transferido para Manaus; aí lá registraram ele sem o nome do pai. Agora a certidão tem o nome dele”, falou.

Para o pai da criança, Jackson Lima, 21, o momento era muito aguardado pela família, principalmente por ele, que sempre sonhou com o momento de ver seu nome na certidão do pequeno Miguel.

“Fiquei triste com o erro, porque queria o meu filho com o meu nome. Quando ela me mostrou o erro, tentamos ir até o cartório, mas cobraram R$ 500 e a gente não tinha condições. Agora é um momento de alegria, porque vieram até nossa terra para nos dar essa esperança, e tenho certeza de que meus parentes também vão receber ajuda”, comemorou.

*Desafios do atendimento em terras indígenas*

Em Borba, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), residem 9.394 indígenas de 26 etnias. O número corresponde a 28% da população total do município, que é de 33 mil pessoas.

Para a Defensora Pública e Coordenadora do Núcleo Especializado na Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais (NUDCIT), Daniele Fernandes, realizar um mutirão de atendimentos dentro de terras indígenas envolve uma série de protocolos que devem ser seguidos respeitando a cultura de cada comunidade.

“Esses atendimentos são muito importantes para garantir o acesso aos direitos dos povos indígenas, considerando todas as dificuldades de logística e questões culturais. Com esse mutirão, conseguimos alcançar essa parcela da população que precisa muito do nosso trabalho”, falou.

Criado em 2024, o núcleo conta com quatro Defensorias Especializadas, localizadas nos polos do Alto Rio Negro, Maués, Purus e Solimões, e tem atribuição para atender casos de proteção dos territórios tradicionais; demarcação de terras indígenas; saúde indígena; educação escolar indígena e sistemas de educação de territórios tradicionais; identidade e pertencimento étnico para fins de acesso à documentação civil, entre outros.

“Muitas vezes realizamos atendimentos em comunidades indígenas onde as pessoas não falam o português como primeira língua e enfrentam dificuldades para acessar os serviços públicos, seja porque não existe um intérprete, um atendimento cultural adequado ou por falta de recursos para se hospedar na cidade”, acrescentou a defensora pública, Daniele Fernandes.

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