
Mulheres recebem demandas e dão início à confecção das indumentárias do espetáculo azul e branco. (Foto: Bruna Karla)
As mãos que ajudam a dar forma ao espetáculo do Boi Caprichoso começaram oficialmente mais um ciclo de trabalho. Na tarde de sábado (11), o Conselho de Arte realizou a entrega das demandas às costureiras responsáveis pela confecção das indumentárias do projeto de arena 2026.
Formado majoritariamente por mulheres, o setor de costura é um dos pilares da construção estética do bumbá, responsável por transformar tecidos em figurinos que ganham vida no Festival de Parintins. O encontro marcou o alinhamento das equipes e o início da produção para o espetáculo “Brinquedo que Canta seu Chão”.
A reunião foi conduzida pelo presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome, ao lado dos conselheiros Socorrinha Carvalho, Peta Cid e Paulo Victor. Durante o encontro, foram apresentados cronogramas, metas e estratégias para otimizar a produção das fantasias.
Entre as costureiras, o sentimento é de expectativa e compromisso com o resultado final. Léa Ferreira, há cinco anos no bumbá, destacou o entusiasmo da equipe e o objetivo de alcançar a excelência na execução dos figurinos.
Veterana com 15 anos de atuação, Lorena Cantanhede ressaltou o valor simbólico do trabalho, afirmando que cada peça confeccionada carrega a história e a identidade do Caprichoso, refletindo diretamente no desempenho na arena.
Histórias como a de Dona Iolene evidenciam a ligação entre tradição e família dentro do bumbá. Filha de Azemar Ferreira e mãe do atual tuxaua Pablo Souza, ela mantém viva uma trajetória marcada pela dedicação ao Caprichoso, acompanhando de perto a transformação do trabalho em espetáculo.
Para Peta Cid, o momento representa também um resgate histórico, relembrando gerações de mulheres que ajudaram a construir a identidade visual do boi. Já Socorrinha Carvalho destacou que a costura vai além da técnica, sendo um ato de amor e pertencimento.
O encontro também foi marcado por emoção, com uma homenagem à costureira Cilica Farias, falecida recentemente. Reconhecida pela dedicação e precisão no trabalho, ela deixou um legado importante na construção das indumentárias do bumbá.
A entrega das demandas marca o início efetivo da produção das fantasias que irão compor o espetáculo de 2026, reforçando o papel fundamental das costureiras na construção da identidade do Caprichoso na arena.
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