08/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

HUGV-UFAM coordena estudo multicêntrico com nova tecnologia de monitoramento cerebral em Manaus

Publicado em 03 de abril, 2026

HUGV-UFAM coordena estudo multicêntrico com nova tecnologia de monitoramento cerebral em Manaus

O Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), administrado pela Rede HU Brasil, iniciou a implementação de um estudo multicêntrico para avaliar a tecnologia Brain4care, voltada ao monitoramento cerebral não invasivo. Como parte da iniciativa, foram entregues, na última sexta-feira (27), quatro equipamentos completos ao Complexo Hospitalar Sul (CHS) – Hospital 28 de Agosto e ao Hospital Dr. João Lúcio Pereira Machado.

A ação é conduzida pelo Centro de Pesquisa Clínica e Inovação Tecnológica da Amazônia do HUGV, em parceria com a empresa Brain4care, e reforça a integração entre ensino, pesquisa, inovação tecnológica e assistência no Sistema Único de Saúde (SUS). O hospital lidera a execução do projeto, ampliando sua atuação em inovação e fortalecendo a colaboração com unidades da rede estadual.

De acordo com o neurocirurgião e pesquisador do estudo, Robson Amorim, a iniciativa representa um avanço relevante para a região Norte. “A possibilidade de monitoramento contínuo e não invasivo pode transformar a forma como lidamos com pacientes neurológicos e melhorar significativamente os desfechos clínicos”, afirmou.

Os hospitais participantes atuarão como unidades de média e alta complexidade, contribuindo para avaliar a aplicabilidade e a utilidade da tecnologia na rotina assistencial.

Estudo multicêntrico avalia impacto da tecnologia

Coordenado pelo HUGV, o estudo tem como objetivo analisar a efetividade do uso da tecnologia no cuidado a pacientes neurológicos, especialmente no apoio à tomada de decisão clínica e na definição de prioridades de atendimento.

Durante o período da pesquisa, quatro dispositivos com estações de trabalho completas serão utilizados, com posterior análise dos dados obtidos. “Este estudo busca responder questões fundamentais para a incorporação da tecnologia na prática clínica, como sua viabilidade, a utilidade das informações geradas na definição de prioridades e seu impacto na indicação de exames complementares. Caso os resultados sejam positivos, poderão subsidiar a adoção da tecnologia de forma estruturada no SUS”, destacou Robson Amorim.

O estudo tem previsão de ser concluído ao final de 2027 e é coordenado localmente por Daniel Vieira Pinto e Bruna Rodrigues, da Gerência de Ensino e Pesquisa do HUGV. O HUGV é um dos primeiros hospitais da região Norte a adotar Brain4care na pesquisa, consolidando-se como referência em pesquisa clínica e inovação na Amazônia.

Assistência e impacto no SUS

A tecnologia permite monitorar, de forma não invasiva, a dinâmica intracraniana, fornecendo informações fisiológicas em tempo real sobre alterações no cérebro. O exame é realizado com um sensor externo, posicionado como uma tiara na cabeça do paciente, e os dados são processados, gerando relatórios que auxiliam a tomada de decisão médica, especialmente em situações de urgência.

Diferentemente do método convencional, que exige procedimento cirúrgico para inserção de um cateter, a nova tecnologia dispensa intervenções invasivas. A análise é rápida, com duração média de cinco a dez minutos. O equipamento pode ser utilizado em casos como traumatismo craniano, acidente vascular cerebral (AVC), suspeita de edema cerebral e rebaixamento do nível de consciência.

Para o diretor-geral do CHS, Hernani Vaz Kruger, a iniciativa fortalece o sistema público de saúde. “Essa integração entre assistência, pesquisa e inovação traz benefícios diretos para o SUS e melhora a qualidade do atendimento à população”, destacou.

Assistência

Além de qualificar a assistência, a tecnologia também pode reduzir a necessidade de exames mais complexos em determinados casos, otimizando recursos hospitalares e ampliando o acesso ao diagnóstico.

Segundo Rodrigo Andrade, diretor de Inovação e Tecnologia da Brain4care, a solução contribui para reduzir desigualdades no acesso ao diagnóstico. “O HUGV e a UFAM são centrais, pois Manaus, embora referência, reflete o desafio nacional: em muitos municípios vizinhos, faltam meios para determinar gravidade. Ao possibilitar essa triagem precoce, a tecnologia não apenas encurta essa distância, mas também permite identificar quais pacientes realmente necessitam desse encurtamento, contribuindo para a definição mais assertiva do que configura uma emergência neurológica”, explicou.

A expectativa é que os resultados do estudo orientem a expansão do uso da tecnologia em diferentes níveis de atenção.

Sobre a HU Brasil

O HUGV-Ufam faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.

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