03/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Brasil lança canal para fortalecer denúncias sobre uso irregular de agrotóxicos

Publicado em 02 de abril, 2026

Estudo avalia riscos ambientais do uso de agrotóxicos na horticultura do Amazonas

Coordenada pelo MMA, ferramenta amplia acesso da população aos órgãos de fiscalização e integra ações prioritárias do Pronara (Divulgação/Fapeam)

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançou, na última terça-feira (31/3), em Brasília (DF), o Canal de Apoio a Denúncias por Agrotóxicos. A ferramenta busca fortalecer o encaminhamento adequado de denúncias relacionadas ao uso irregular dessas substâncias, além de facilitar o acesso da sociedade civil aos órgãos responsáveis pela fiscalização.

O evento reuniu representantes de órgãos públicos, produtores e organizações da sociedade civil para discutir estratégias e desafios na redução dos impactos dos agrotóxicos em comunidades e territórios.

Desenvolvida em parceria com o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e a Cooperativa de Trabalho em Educação, Informação e Tecnologia para Autogestão (EITA), a ferramenta permite o registro de casos de forma ágil, segura e detalhada. A iniciativa representa um avanço na atuação pública ao ampliar o acesso à justiça socioambiental e fortalecer mecanismos de proteção às populações expostas.

A secretária-executiva adjunta do MMA, Anna Flávia de Senna Franco, destacou que a estratégia é resultado de um esforço coletivo para o fortalecimento das políticas públicas de controle e redução do uso de agrotóxicos no país. De acordo com ela, o enfrentamento do tema exige liderança governamental, articulação institucional e participação social.

“A gente precisa de uma estrutura forte de governança e de instrumentos que atuem em toda a cadeia, desde o estímulo à redução do uso até o fortalecimento do controle social e da informação qualificada”, ressaltou. Disse ainda que precisaríamos pensar em um “mapa do caminho para a redução dos agrotóxicos” , disse.

Para a secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Edel Moraes, o canal de apoio responde a uma demanda histórica de comunidades afetadas pela exposição a agrotóxicos. “Temos diferentes canais de denúncia, mas é preciso garantir o retorno e a responsabilização. Esse instrumento vem justamente para qualificar esse processo e dar uma resposta à sociedade brasileira”, afirmou.

A ação ocorreu no âmbito do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) . C onsiderado um marco na política ambiental brasileira , o programa propõe a redução progressiva do uso de agrotóxicos, conciliando a proteção dos ecossistemas e da saúde humana com o desenvolvimento sustentável.

Instituído pelo Decreto nº 12.538/2025, o Pronara reúne projetos e ações a serem implementados por diferentes órgãos do governo federal. O Canal de Apoio a Denúncias por Agrotóxicos integra uma das 31 iniciativas prioritárias do programa para o biênio 2026-2027.

Na avaliação da secretária substituta nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Thaianne Resende, o desafio vai além do volume de uso de agrotóxicos e envolve a capacidade do Estado de responder de forma coordenada e eficaz aos impactos. “O Brasil é uma potência agrícola, mas também apresenta um consumo elevado dessas substâncias, especialmente das mais perigosas. Isso traz consequências para o solo, a água, a biodiversidade e a saúde das pessoas”, afirmou.

Segundo Thaianne , o Pronara representa uma mudança importante ao consolidar uma estratégia nacional que combina ciência, governança e ação nos territórios.

“Na prática, estamos começando a materializar as entregas do Pronara. Esse canal de apo io a denúncias já é um primeiro passo e também organiza uma agenda de futuro, ao apontar caminhos para superar os obstáculos e estruturar uma política pública mais efetiva de combate aos agrotóxicos”, ressaltou o diretor das Mesas de Diálogo da Secretaria Geral da Presidência da República, Marcelo Frago z o .

O direito à informação e ao controle social foram enfatizados pelo coordenador do Fórum Nacional e subprocurador-geral do Trabalho, Pedro Luiz Serafim. “A Constituição estabelece que essa responsabilidade é compartilhada entre Estado e sociedade, e iniciativas como este canal fortalecem justamente esse papel, ao ampliar o acesso à informação e à fiscalização”, pontuou.

A programação incluiu mesas de debate sobre monitoramento, acolhimento e encaminhamento de denúncias, além de apresentações sobre o funcionamento do sistema de ouvidorias no governo federal.

Também estiveram presentes a secretária-executiva da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida, Jakeline Pivato ; o representante da Mesa Coordenadora da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, Rogério Dias; e o diretor de Políticas de Gestão Ambiental Rural do MMA, Daniel Peter Beniamino.

Agência Gov

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