11/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Insumos da floresta amazônica viram matéria-prima para moda e geração de renda

Publicado em 01 de abril, 2026

Insumos da floresta amazônica viram matéria-prima para moda e geração de renda

A união entre a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) marca um novo momento para a economia criativa no estado. Com a inauguração do Hub Amazon Poranga Fashion, instalado na sede do CBA, a proposta é conectar moda, inovação e bioeconomia, ampliando oportunidades para artistas, estilistas, artesãos e empreendedores da região.

A iniciativa surge como um espaço de desenvolvimento, pesquisa e incubação de projetos que utilizam insumos amazônicos, como fibras naturais, sementes e materiais sustentáveis, fortalecendo uma cadeia produtiva que vai muito além da criação artística.

Gestor

Segundo o gestor cultural Turenko Beça, a parceria nasceu a partir de uma estratégia da Secretaria para ampliar o alcance da economia criativa no estado. “A economia criativa é um dos setores da Secretaria, e a gente vai mapeando oportunidades e fazendo prospecção em diversas áreas. A partir de uma orientação do secretário Caio André, fizemos essa ligação com o CBA e conseguimos instaurar aqui o hub, que é o primeiro passo dessa relação com o centro de bionegócios”, explica.

Ele destaca ainda que o espaço dialoga diretamente com o uso sustentável dos recursos da floresta: “Os empreendedores trabalham com materiais amazônicos, como curauá, tucum, fibras naturais e couro de pirarucu. Isso gera uma cadeia produtiva muito rica, que envolve desde quem coleta até quem transforma esses materiais em produto final”.

Hub

O Hub funciona como uma incubadora de projetos e deve atrair novos empreendedores e investidores. A proposta é ampliar o alcance das iniciativas e fomentar negócios em escala maior, conectando criatividade e mercado.

“Esse espaço vai receber empresas e aproximar investidores dos empreendedores, tanto pela Secretaria quanto pelo CBA. A ideia é que esses projetos cresçam e ganhem escala produtiva”, destaca Turenko.

Avanço na economia criativa

Para a diretora cultural do Amazon Poranga Fashion, Jessilda Furtado, a parceria representa um avanço importante para o reconhecimento da moda como um segmento estratégico da economia criativa. “A gente percebeu a importância de valorizar a moda, porque temos estilistas incríveis, mas muitas vezes invisibilizados. O Amazon Poranga surgiu justamente para dar visibilidade a esses criativos e fortalecer esse mercado”, afirma.

Ela relembra que o projeto cresceu ao longo dos anos, passando por diferentes espaços culturais de Manaus até chegar ao CBA, consolidando-se como uma plataforma de inovação. “Hoje estamos em um lugar de pesquisa, que estuda os insumos da Amazônia e transforma isso em bionegócio. Isso amplia muito as possibilidades, vai além de um desfile de moda, é geração de renda e valorização da nossa identidade”, completa.

Com mais de um milhão de visualizações nas edições anteriores, o projeto demonstra o potencial econômico e cultural do setor. “A moda impacta diretamente na vida de muitas pessoas, do artesão ao estilista. É um segmento que coloca comida na mesa e valoriza o que é nosso”, reforça Jessilda.

A ampliação desse olhar também é destacada por Fabiana Rocha, gestora do espaço CBA de inovação, que aponta uma mudança na forma como a bioeconomia é pensada.

“O CBA está vivendo um novo momento, saindo da pesquisa apenas de laboratório para transformar ideias em negócios reais. A economia criativa entra como um elemento fundamental, porque ela amplia esse conceito e mostra que a Amazônia também é arte, cultura e inovação”, ressalta.

Inovação

Para os estilistas, o impacto da parceria já é concreto. A diretora criativa Thaís Arévola ressalta que o acesso à estrutura do CBA fortalece o desenvolvimento de produtos sustentáveis. “A gente trabalha com tecidos de fibras amazônicas, como o curauá e até fibra de abacaxi. O CBA auxiliava nesse processo, e agora, com o hub, isso se amplia para outros criativos também”, destaca.

Ela destaca ainda que o acesso a laboratórios e pesquisas deve facilitar o trabalho de quem atua com técnicas tradicionais. “Isso vai beneficiar desde estilistas até comunidades ribeirinhas e indígenas, tornando o processo mais acessível e valorizando o trabalho dessas pessoas”, finaliza Arévola.

Com a parceria, a expectativa é que a economia criativa no Amazonas avance ainda mais, integrando conhecimento científico, inovação e saberes tradicionais. A iniciativa reforça o potencial da região como referência em bioeconomia aplicada à moda e à cultura, abrindo caminhos para novos negócios e consolidando a Amazônia como um polo criativo e sustentável.

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