
Amazonas reduz desmatamento em 32%, mas segue entre os estados mais pressionados da Amazônia
O Amazonas registrou uma redução significativa no desmatamento nos últimos meses, mas os números ainda mantêm o estado entre os mais pressionados da Amazônia Legal. Entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, a área devastada caiu 32%, passando de 296 km² para 200 km² no mesmo período comparativo anterior.
Apesar da queda expressiva, o estado segue como o segundo mais afetado pelo desmatamento na região, atrás apenas do Pará, o que acende um alerta sobre a continuidade da pressão sobre a floresta.
Os dados mais recentes reforçam a tendência de redução em escala regional. Em fevereiro de 2026, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) detectou 69 km² de áreas desmatadas na Amazônia Legal — uma queda de 42% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram registrados 119 km².
A maior parte do desmatamento no período se concentrou no Mato Grosso, responsável por 32% da área total, seguido por Roraima (29%) e Pará (23%). O Amazonas aparece com 6% dos registros, enquanto Rondônia, Maranhão e Acre completam o ranking.
Mesmo com a redução no desmate, os dados sobre degradação florestal indicam um cenário que ainda exige atenção. Em fevereiro de 2026, foram registrados 13 km² de áreas degradadas na Amazônia Legal, uma leve queda de 7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A degradação se concentrou principalmente no Mato Grosso (85%) e em Roraima (15%).
Outro ponto crítico está no perfil das áreas atingidas. A maior parte do desmatamento — 79% — ocorreu em áreas privadas ou sob diferentes estágios de posse, o que evidencia a forte influência da ocupação irregular e da expansão econômica sobre a floresta. O restante foi registrado em assentamentos (13%), unidades de conservação (7%) e terras indígenas (1%).
Embora os números indiquem uma desaceleração recente, especialistas alertam que o desafio permanece estrutural: conter o avanço do desmatamento em uma região estratégica para o equilíbrio climático global, onde cada quilômetro de floresta preservada tem impacto direto sobre o futuro da Amazônia.
“A queda no desmatamento da Amazônia é essencial para a redução das emissões de gases de efeito estufa no Brasil e para o combate às mudanças climáticas, que têm deixado eventos extremos como secas e tempestades mais intensos e frequentes em todo o mundo”, explica Carlos Souza Jr., pesquisador que coordena o Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon.
Além disso, fevereiro representa o sétimo mês do chamado “calendário de desmatamento” de 2026, que por causa do regime de chuvas na Amazônia vai de agosto de um ano a julho do seguinte. Desde o início do calendário atual, em agosto de 2025, até fevereiro de 2026, a derrubada acumulada chegou a 1.264 km², 41% a menos do que no período anterior. Entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025, foram devastados 2.129 km².

Entre os nove estados que compõem a Amazônia Legal, o Pará foi o que registrou a maior área desmatada entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026: 398 km². Esse acumulado, no entanto, foi 54% menor que o registrado no período anterior, entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026, que somou 863 km². Além disso, é em solo paraense que fica a unidade de conservação mais desmatada nesses sete meses, a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, que perdeu 34 km² de floresta no período, o equivalente a 16 campos de futebol por dia.
Amazonas e Acre completam o top 3, com 200 km² e 190 km² desmatados, respectivamente. Assim como o Pará, esses estados também apresentaram redução na derrubada, ambos de 32%.
Em rankings anteriores, no entanto, era Mato Grosso que costumava estampar o quadro de medalhas dos estados mais desmatadores, vaga agora ocupada pelo Acre. Com redução de 51% na derrubada, Mato Grosso passou da segunda para a quarta colocação na análise do desmatamento acumulado de agosto a fevereiro, os sete primeiros meses do calendário de 2026.
“O aumento no Acre pode ser explicado pelo fortalecimento dos últimos anos da fronteira agropecuária no oeste da Amazônia, especialmente na região conhecida como AMACRO, que integra áreas do Acre, Amazonas e Rondônia. Esse movimento tem sido marcado pela expansão da pecuária e pela pressão sobre terras públicas ainda florestadas. A saída do Mato Grosso do topo do ranking durante esse período não indica perda de relevância do estado no cenário do desmatamento. O que estamos observando é uma ampliação territorial da dinâmica do desmatamento na Amazônia Legal.”, comenta Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.
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