
Qualquer bloqueio no Estreito de Ormuz representa risco significativo para o fornecimento global de petróleo, especialmente para países asiáticos (Foto: Reprodução)
A União Europeia avalia, junto à Organização das Nações Unidas (ONU), a criação de uma iniciativa internacional para garantir a circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de energia do mundo. A proposta foi mencionada nesta segunda-feira (16) pela chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, ao chegar a uma reunião dos ministros das Relações Exteriores da UE, em Bruxelas.
Segundo Kallas, a ideia foi discutida com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e teria inspiração em um acordo anterior que permitiu a exportação de grãos da Ucrânia pelo Mar Negro durante a guerra com a Rússia.
A diplomata alertou que qualquer bloqueio no Estreito de Ormuz representa risco significativo para o fornecimento global de petróleo, especialmente para países asiáticos. Além disso, ressaltou que a situação pode afetar também o mercado de fertilizantes, o que poderia ter reflexos na produção agrícola e na segurança alimentar.
A referência feita por Kallas diz respeito à chamada Iniciativa dos Cereais do Mar Negro, negociada em 2022 com mediação da ONU e da Turquia. O acordo permitiu que a Ucrânia continuasse exportando grãos apesar do conflito com a Rússia, até ser suspenso por Moscou em 2023.
Durante a reunião em Bruxelas, os ministros também discutem possíveis mudanças no mandato da missão naval Operação Aspides, criada para proteger navios comerciais no Mar Vermelho. A proposta em análise seria ampliar ou adaptar a operação para responder às tensões na região.
Kallas destacou que alguns países europeus defendem ações rápidas para garantir a segurança marítima. A França, por exemplo, já sinalizou interesse em criar uma missão voltada especificamente para manter aberta a rota no Estreito de Ormuz.
Questionada sobre comentários do presidente dos Estados Unidos a respeito do papel da Organização do Tratado do Atlântico Norte na situação, a chefe da diplomacia europeia afirmou que manter a passagem marítima aberta é do interesse comum. Ela, porém, lembrou que a área está fora da zona de atuação direta da aliança militar.