
Sentença aponta tentativa de tomada do Parlamento e imposição ilegal da lei marcial em 2024 (Foto: Gabinete Presidencial da Coreia do Sul)
A Justiça da Coreia do Sul condenou nesta quinta-feira (19) o presidente deposto Yoon Suk-yeol à prisão perpétua, após considerá-lo culpado de liderar uma insurreição e decretar ilegalmente a lei marcial. A decisão foi proferida pelo Tribunal Distrital Central de Seul.
Durante a leitura da sentença, o juiz Ji Gwi-yeon afirmou que ficou comprovado que o ex-chefe de Estado mobilizou forças militares e policiais em dezembro de 2024 com o objetivo de assumir controle do Parlamento, dominado pela oposição, deter adversários políticos e instaurar um poder sem restrições institucionais.
Apesar da condenação máxima aplicada, Yoon evitou a pena de morte, solicitada pela acusação sob o argumento de que suas ações representaram grave ameaça à ordem democrática do país. Analistas ouvidos pela imprensa sul-coreana avaliam que a defesa deve recorrer da decisão.
O caso está ligado à crise institucional desencadeada em 3 de dezembro de 2024, quando Yoon anunciou em rede nacional a imposição da lei marcial e enviou tropas ao Parlamento. A medida foi revertida poucas horas depois, após deputados conseguirem acessar o plenário e aprovar a suspensão do decreto.
Posteriormente, o Tribunal Constitucional destituiu Yoon do cargo, em abril de 2025, abrindo caminho para novas eleições presidenciais vencidas por Lee Jae-myung, candidato da oposição.
Antes da sentença desta quinta-feira, o mesmo tribunal já havia condenado Yoon, em janeiro, a cinco anos de prisão por crimes relacionados à imposição da lei marcial, incluindo desobediência a ordens de detenção e falsificação de documentos oficiais.
As investigações também apontaram que o ex-presidente excluiu ministros de reuniões estratégicas sobre a medida e tentou impedir sua prisão, permanecendo por semanas entrincheirado na residência oficial em Seul sob proteção de seguranças. Ele acabou detido em janeiro de 2025, após uma operação policial prolongada e violenta, tornando-se o primeiro presidente sul-coreano em exercício a ser preso.
O tribunal também considerou culpado o ex-ministro da Defesa Kim Yong-hyun, e as penas dos demais envolvidos no processo devem ser anunciadas em breve.
A defesa de Yoon sustenta que a decretação da lei marcial foi motivada por impasses políticos com o Parlamento, que, segundo ele, estaria bloqueando a aprovação do orçamento nacional.
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