
David atribui greve dos ônibus a débito do Estado com passe estudantil
O prefeito David Almeida afirmou que a paralisação do transporte coletivo em Manaus está relacionada a um débito do Governo do Estado com o passe livre estudantil, e não a pendências financeiras da Prefeitura com as empresas de ônibus. Segundo ele, a gestão municipal vem cumprindo regularmente sua parte no subsídio do sistema.
De acordo com o prefeito, a Prefeitura de Manaus repassa cerca de R$ 30 milhões por mês ao sistema de transporte coletivo, o que representa um custo anual aproximado de R$ 360 milhões em subsídios. Apenas no mês de fevereiro, foram pagos R$ 22 milhões, além de um adiantamento de R$ 8 milhões para garantir o pagamento dos salários dos rodoviários, valor que só seria quitado ao final do mês.
David Almeida contestou a alegação das empresas de ônibus de que haveria um débito de quase R$ 100 milhões. Segundo ele, esse montante está relacionado ao passe livre estudantil estadual, que deixou de ser renovado pelo Governo do Amazonas. Mesmo assim, os estudantes continuaram utilizando o transporte coletivo, o que elevou o volume de gratuidades sem a devida compensação financeira ao sistema.
O passe livre estudantil teve peso político relevante nos últimos anos. A política de gratuidade foi um dos programas mais explorados eleitoralmente tanto na reeleição do governador Wilson Lima quanto na vitória de David Almeida à frente da Prefeitura de Manaus, ao reduzir o impacto do custo do transporte para milhares de famílias.
Apesar do elevado subsídio público, a tarifa do transporte coletivo em Manaus permanece em R$ 6, valor em vigor desde abril do ano passado, o que reforça a dependência estrutural do sistema em relação a recursos públicos para manter a operação.
Outro aspecto recorrente em episódios de paralisação é a dinâmica entre empresários e trabalhadores. Enquanto as empresas pressionam para receber repasses e compensações financeiras, quem efetivamente cruza os braços são os rodoviários, que alegam atraso ou risco aos próprios salários. Especialistas em direito do trabalho apontam que esse tipo de movimento expõe os trabalhadores a situações de massa de manobra, já que a paralisação beneficia diretamente os concessionários.
A legislação brasileira prevê punições severas em casos de lockout, prática em que empresas concessionárias de serviço público paralisam ou estimulam a paralisação das atividades para pressionar o poder público. Formalmente, a greve é atribuída aos trabalhadores, mas o interesse econômico recai sobre os empresários do setor.
Não é a primeira vez que essa estratégia aparece no transporte coletivo de Manaus. Em um episódio anterior, um ex-presidente do Sindicato dos Rodoviários chegou a ser preso, e durante buscas em sua residência foram encontrados R$ 300 mil em espécie. O mesmo grupo político continua à frente da entidade sindical, segundo registros públicos.
Enquanto as disputas financeiras e políticas se intensificam, Manaus amanheceu novamente com o sistema de transporte coletivo paralisado, afetando milhares de usuários. David Almeida afirmou que, caso a greve se mantenha, convocará uma coletiva para detalhar à população a origem do conflito e os valores envolvidos.
“A prefeitura está fazendo a sua parte. Da nossa parte, não devemos nada. Se houver paralisação, vou explicar toda essa situação à população”, declarou o prefeito.
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