
Bill Clinton já reconheceu que utilizou o avião de Epstein em algumas ocasiões no início dos anos 2000, após deixar a Presidência (Foto: Wikipédia Commons)
O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton concordaram em prestar depoimento a uma investigação conduzida pelo Congresso norte-americano sobre o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e morto em 2019. A sinalização de colaboração pode levar ao cancelamento de uma votação articulada por republicanos na Câmara dos Deputados para acusar o casal de desacato ao Legislativo.
A iniciativa de acusação havia sido defendida por parlamentares do Partido Republicano após os dois democratas se recusarem a comparecer pessoalmente ao Comitê de Supervisão da Câmara. À época, os Clintons afirmaram que a investigação tinha caráter partidário e seria usada para proteger o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A discussão ganhou força após o Departamento de Justiça divulgar milhões de documentos internos relacionados ao caso Epstein. O material expôs conexões do financista com figuras influentes da política, do sistema financeiro, da academia e do meio empresarial, tanto antes quanto depois de sua condenação em 2008 por crimes ligados à prostituição.
Questionado sobre a possibilidade de manter a votação de desacato, o presidente da Câmara, Mike Johnson, afirmou que o assunto ainda está em análise. Segundo ele, advogados avaliam os detalhes do acordo para os depoimentos, que foram recebidos de forma positiva pela liderança republicana.
Na semana passada, o Comitê de Supervisão recomendou formalmente que Bill e Hillary Clinton fossem responsabilizados por desacato ao Congresso, alegando falta de cooperação. Apesar disso, representantes do casal sustentam que eles já prestaram esclarecimentos sob juramento e agora se dispõem a depor, desde que haja regras claras e aplicáveis a todos os envolvidos.
O vice-chefe de gabinete dos Clintons, Angel Urena, declarou nas redes sociais que o casal espera estabelecer um precedente de tratamento igualitário no andamento da investigação.
Bill Clinton já reconheceu que utilizou o avião de Epstein em algumas ocasiões no início dos anos 2000, após deixar a Presidência. Ele afirmou, no entanto, que desconhecia qualquer atividade criminosa do financista e disse lamentar a relação mantida à época.
O presidente do Comitê de Supervisão, deputado republicano James Comer, informou que ainda não há datas definidas para os depoimentos. Segundo ele, os advogados dos Clintons afirmaram concordar com determinados termos, mas esses pontos ainda precisam ser detalhados.
De acordo com Comer, o comitê irá esclarecer as condições do acordo antes de decidir os próximos passos da investigação.