28/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Meteorologia aponta fim da La Niña e chegada do El Niño

Publicado em 28 de janeiro, 2026

Meteorologia aponta fim da La Niña e chegada do El Niño

O fenômeno climático La Niña está perto do fim, segundo análises recentes da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), agência climática dos Estados Unidos. Embora o Pacífico ainda apresente resquícios do padrão de resfriamento característico da La Niña, os dados mais atuais indicam a transição para um cenário de neutralidade nos próximos dias.

Foram 14 semanas consecutivas em que o Pacífico Equatorial Centro-Leste, área conhecida como região Niño 3.4 — referência internacional para identificar a ocorrência de El Niño ou La Niña — registrou anomalias de temperatura iguais ou inferiores a -0,5°C, limite técnico da La Niña. O pico do resfriamento foi considerado fraco, com anomalia mínima de -0,8°C, o que caracteriza um evento de curta duração e baixa intensidade.

Boletim

No boletim semanal mais recente da NOAA, a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 subiu para -0,3°C, valor já dentro da faixa de neutralidade, que varia entre -0,5°C e +0,5°C. Esse é um indicativo relevante de que o fenômeno está perdendo força, especialmente diante do aquecimento observado abaixo da superfície do oceano, que tende a emergir e impedir um novo resfriamento significativo.

Já no Pacífico mais a leste, próximo às costas do Peru e do Equador, a chamada região Niño 1+2 apresentou anomalia de -0,2°C. Essa área tem impacto direto sobre o regime de chuvas no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul. Quando há resfriamento nessa faixa, a tendência é de redução das chuvas; quando ocorre aquecimento, aumenta a probabilidade de precipitações mais volumosas.

Fim da La Niña não significa mudança imediata nas chuvas

Apesar da expectativa em torno do encerramento da La Niña, especialistas alertam que a mudança no padrão climático não ocorre de forma instantânea. A atmosfera continua respondendo, por algum tempo, às condições anteriores, o que significa que a irregularidade das chuvas deve persistir no curto e médio prazos em áreas do Sul do Brasil, além de regiões da Argentina e do Uruguai.

No caso do Rio Grande do Sul, a Metade Sul do estado segue como a área mais preocupante, devido à continuidade do déficit hídrico e aos impactos na agricultura.

Neutralidade é a próxima fase e El Niño pode surgir mais adiante

Após um episódio de La Niña, o sistema climático do Pacífico entra obrigatoriamente em um período de neutralidade, que pode ser curto ou prolongado. Diferente do que muitos imaginam, neutralidade não significa normalidade. Mesmo nesse estágio, podem ocorrer extremos climáticos associados tanto à La Niña quanto ao El Niño.

Projeções de modelos climáticos de longo prazo indicam que, a partir do outono, há possibilidade crescente de aquecimento das águas do Pacífico, especialmente próximo às costas do Peru e do Equador, o que pode caracterizar inicialmente um El Niño costeiro. Entre o fim do outono e o inverno, esse aquecimento pode se expandir pela faixa equatorial, configurando um evento clássico de El Niño.

Estimativas da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, apontam alta probabilidade de neutralidade no trimestre de março a maio, com aumento gradual das chances de El Niño a partir do inverno e da primavera. Para o período entre junho e agosto, por exemplo, a probabilidade de El Niño já se aproxima de 50%.

Especialistas, no entanto, mantêm cautela nas projeções, especialmente entre março e junho, período conhecido como “barreira de previsibilidade”, quando os modelos climáticos apresentam menor confiabilidade. A partir do segundo semestre, os cenários tendem a se tornar mais consistentes.

O que é El Niño e quais os impactos

O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial ficam mais quentes que a média e os ventos alísios enfraquecem. O fenômeno oposto é a La Niña, caracterizada por águas mais frias e ventos mais intensos. Esses eventos ocorrem, em média, a cada três a cinco anos e influenciam o clima em escala global.

No Brasil, a La Niña aumenta o risco de estiagem no Sul e favorece mais chuvas no Norte e Nordeste. Já o El Niño costuma elevar o risco de chuvas intensas e enchentes no Sul, enquanto pode agravar a seca no Nordeste. As mudanças afetam diretamente a agricultura, a oferta de alimentos, os ecossistemas e até a economia.

Historicamente, o El Niño está associado a melhores safras no Sul do país, embora também aumente o risco de eventos extremos. A origem do nome vem do século XIX, quando pescadores peruanos perceberam o aquecimento anormal das águas próximo ao Natal, associando o fenômeno ao “Menino Jesus”.

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.