
Mais do que ampliar o acesso a um novo mercado, o acordo é visto como uma oportunidade de diversificação comercial (Foto: Reprodução)
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia caminha para a fase final, com assinatura prevista para este sábado (17). Embora ainda dependa da ratificação do Parlamento Europeu, o tratado já é considerado estratégico para o Brasil, especialmente em um cenário de mudanças no comércio global e de maior pressão sobre mercados tradicionais.
Mais do que ampliar o acesso a um novo mercado, o acordo é visto como uma oportunidade de diversificação comercial. Atualmente, o Brasil concentra grande parte das exportações de carne bovina na China, país que começa a impor limites mais rígidos às importações. A entrada mais robusta no mercado europeu surge como alternativa para reduzir essa dependência.
A União Europeia já ocupa papel relevante nas exportações do agronegócio brasileiro, mesmo sem o acordo em vigor. Produtos como carne bovina, café, soja, celulose e frango têm forte presença no bloco. Com o tratado, a expectativa é de redução ou eliminação de tarifas para esses itens, o que pode aumentar a competitividade do produto brasileiro em um mercado mais exigente, porém mais previsível.
Para o Brasil, o acordo também representa a chance de ampliar vendas de produtos com maior valor agregado. Diferentemente de mercados focados em volume, a União Europeia tende a pagar mais por produtos que atendam a padrões sanitários, ambientais e de rastreabilidade. Isso pode estimular investimentos em tecnologia, certificações e cadeias produtivas mais organizadas.
Especialistas apontam ainda que o avanço do acordo não se explica apenas por fatores comerciais. A União Europeia busca fortalecer alianças estratégicas em meio a rearranjos geopolíticos globais, como a aproximação entre Rússia e China e a redefinição do papel dos Estados Unidos em regiões estratégicas. Nesse contexto, o Mercosul passa a ser visto como parceiro relevante em termos econômicos e de segurança alimentar.
Apesar dos benefícios potenciais, o tratado traz desafios. As exigências ambientais e climáticas impostas pela UE tendem a elevar custos de produção e podem favorecer grandes produtores, mais preparados para cumprir regras rígidas. Além disso, o acordo prevê mecanismos de salvaguarda que permitem à União Europeia reagir caso as importações do Mercosul cresçam acima de determinados limites.
No próprio bloco europeu, o acordo enfrenta resistência de agricultores que temem concorrência com produtos sul-americanos, produzidos a custos mais baixos. Para reduzir essa pressão, a Comissão Europeia discute medidas internas, como a redução de tarifas sobre fertilizantes e possíveis flexibilizações temporárias de regras ambientais.
Para analistas, o saldo para o Brasil tende a ser positivo, desde que o país consiga alinhar política externa, estratégia comercial e adaptação produtiva.
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